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Mudanças climáticas

Como as decisões da COP30 têm impacto na sua vida

Em resumo: o que se decide na conferência afeta diretamente o seu bolso, o seu prato e o ar que você respira
Ethel Maciel

Publicado em 

13 nov 2025 às 04:01

Publicado em 13 de Novembro de 2025 às 07:01

O Brasil está no centro das atenções do mundo, com a realização da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Belém do Pará, no coração da Amazônia. O nome pode parecer complicado, mas o assunto é simples (e urgente): o que o planeta precisa fazer para não ficar quente demais e continuar sendo um bom lugar para viver.
Mas afinal… o que é essa tal de COP? A sigla COP vem do inglês Conference of the Parties, que quer dizer “Conferência das Partes”. As “partes” são os países que assinaram um acordo mundial lá em 1992, durante a famosa Rio-92, no Rio de Janeiro. Esse acordo é basicamente um compromisso entre as nações de cuidar do clima do planeta.
Desde então, esses países se reúnem uma vez por ano para avaliar o que foi feito e planejar novas ações. É como uma grande reunião de condomínio — só que o “condomínio” é o planeta Terra, e os moradores são 198 países.
A escolha de Belém é histórica. Nunca antes uma COP havia sido realizada na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo e uma das principais reguladoras do clima global.
Levar o evento para lá é uma forma de dizer: “Vamos discutir o clima olhando para quem mais sente os efeitos das mudanças e quem mais ajuda a proteger o planeta”, neste caso: as populações tradicionais ou povos originários.
Além disso, o Brasil tem um papel importante no debate climático. O país é uma potência ambiental, com uma das maiores reservas de biodiversidade do mundo e grande potencial para energia limpa — como solar, eólica e de biomassa.
A COP30 não é apenas um encontro de líderes políticos. É um espaço onde cientistas, jovens, povos indígenas, ambientalistas, empresários, governos e jornalistas trocam ideias sobre o futuro do planeta.
Os principais assuntos serão:
  • Desmatamento: como parar a derrubada de florestas, principalmente na Amazônia; 
  • Energia limpa: como diminuir o uso de combustíveis fósseis (como o petróleo) e investir mais em energias renováveis; 
  • Financiamento: como os países ricos podem ajudar os mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas; 
  • Justiça climática: garantir que os impactos da crise climática não prejudiquem mais quem já vive em situações vulneráveis.
Um ponto central será a revisão das metas do Acordo de Paris (2015), quando os países prometeram reduzir suas emissões de gases poluentes para tentar limitar o aquecimento global a 1,5 °C. O ano de 2024 foi o mais quente do planeta e chegamos a 1,3 °C. Há estimativas que em 2025 algumas partes do Brasil já podem estar chegando aos 1,5 °C.
Pode parecer que a COP é algo distante, mas ela tem tudo a ver com o nosso dia a dia. As decisões tomadas lá influenciam, por exemplo:
• o preço dos alimentos (já que secas e enchentes afetam as plantações);
• o fornecimento de energia (com mais incentivos para fontes limpas e baratas);
• o transporte público e urbano (que pode se tornar menos poluente) com a utilização de ônibus elétrico, incentivo a mobilidade urbana com bicicletas, dentre outras;
• e até o emprego, já que novas profissões surgem na chamada “economia verde”.
A economia verde se baseia na promoção de atividades que reduzem riscos ecológicos, aumentam a eficiência no uso de recursos, diminuem a emissão de carbono e combatem a escassez de recursos, ao mesmo tempo em que geram renda e empregos e promovem a inclusão social.
Em resumo: o que se decide na COP afeta diretamente o seu bolso, o seu prato e o ar que você respira.
Em um mundo cada vez mais quente, os eventos extremos como inundações, ciclones, tornados, queimadas, secas ficam cada vez mais frequentes. E isso, afeta principalmente a nossa saúde.
No momento que escrevo esta coluna, um tornado atingiu o Paraná, deixando mortos e muito desabrigados. Por isso, as mudanças climáticas têm a ver com todos nós, e buscar soluções para diminuir o aquecimento do planeta é a forma como encontramos coletivamente para proteger a nossa própria existência e de espécies animais e vegetais que compartilham este mundo conosco.
Eu já estou na cidade de Belém, onde estão sendo esperadas mais de 70 mil pessoas, entre chefes de Estado, ativistas, pesquisadores e jornalistas. O presidente da COP30, o embaixador André Correa do Lago, define o evento como um grande mutirão. O embaixador tem usado cartas para se dirigir a comunidade global para explicar cada passo que foi dado até aqui.
COP30
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, tendo ao lado a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, durante coletiva de imprensa na COP30 Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil
A palavra mutirão é de origem tupi-guarani, vindo de termos como motirõ ou moty'rõ, que significam "trabalho em comum" ou "trabalho coletivo". O termo se refere a uma mobilização de pessoas para realizar uma tarefa de forma conjunta e cooperativa, visando ao benefício de todos os participantes, e é exatamente isso que esperamos dessa COP30.
O que esperar da COP30? Esperança e ação. A COP30 será uma chance para o mundo mostrar se está realmente disposto a cumprir o que promete.
E, para o Brasil, é uma oportunidade de liderar pelo exemplo — mostrando que é possível crescer, gerar emprego e renda sem destruir a floresta. Para isso, o governo brasileiro está liderando uma iniciativa chamada Fundo Tropical das Florestas para sempre, da sigla em ingles TFFF, esse fundo cria um novo modelo de financiamento climático no qual países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente. A ideia de que floresta em pé vale mais que devastada.
Eu tive a grande honra de ter podido contribuir um pouquinho para esse mutirão. Como Enviada Especial da COP30 para o setor de saúde, percorri de norte a sul do país e fora dele para levar a mensagem da urgência de cuidarmos do planeta para garantir a nossa própria sobrevivência.
Pela primeira vez, nas COPs teremos um dia dedicado inteiramente à saúde, este dia 13 de novembro. O Brasil liderará o Lançamento do Plano de Ação de Saúde de Belém, um plano que cria três ações principais focadas: 1) no fortalecimento de sistemas de vigilância e monitoramento em saúde informados pelo clima que sejam integrados, interoperáveis, inclusivos e participativos; 2) fortalecimento das capacidades nacionais e locais e na aceleração da implementação de políticas e soluções baseadas em evidências por meio de abordagens multidisciplinares, intersetoriais e participativas em todas as etapas de formulação e tomada de decisão em políticas públicas; 3) Promoção de pesquisa, desenvolvimento, aplicação e acesso equitativo a tecnologias e abordagens inovadoras que atendam de forma eficaz às necessidades de saúde de populações diversas.. .
O Brasil como o maior sistema de saúde do mundo, o nosso SUS, está neste momento da COP30 liderando a maior iniciativa de colocar a saúde no centro do debate climático!
No fim das contas, a COP30 é sobre o futuro. E esse futuro depende de decisões que começam agora — nas salas de conferência de Belém, mas também nas nossas escolhas diárias.
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