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Natal

Um convite a buscar um sentido para a vida

Neste Natal, talvez o presente mais valioso não esteja sob a árvore, mas na redescoberta do nosso próprio “porquê”. Que possamos escolher nossas ações de modo a não ferir outro ser humano, independentemente de credo, raça, religião, política, gênero
Ethel Maciel

Publicado em 

25 dez 2025 às 03:30

Publicado em 25 de Dezembro de 2025 às 06:30

Enquanto as cidades se iluminam e o ano chega ao fim, o Natal convida à pausa e à reflexão. Em meio à correria, presentes e celebrações, cresce a necessidade de fazer o nosso silêncio interno e perguntar: qual é o verdadeiro sentido da vida e do Natal?
Eu queria dividir com vocês, leitores e leitoras desta coluna, um dos livros que me marcou em 2025 e compartilhar essa reflexão de Natal. Mais de setenta anos após sua publicação, “Em Busca de Sentido”, do psiquiatra austríaco Viktor Frankl, segue como uma das obras mais transformadoras sobre a condição humana.
Escrita após ele ter sobrevivido aos campos de concentração nazistas, a obra é um testemunho de resistência, fé e propósito. Frankl não apenas narra o sofrimento, mas mostra que mesmo em meio à dor mais profunda, o ser humano pode escolher dar sentido à própria existência.
Sua frase “Quem tem um porquê enfrenta quase qualquer como” resume a essência da abordagem criada por Frankl que coloca o sentido da vida como força central da existência humana. Segundo ele, o ser humano não é movido apenas pelo prazer nem pela vontade de poder, mas pela vontade de sentido, o desejo profundo de que a vida tenha propósito.
Em seu livro, ele apresenta três caminhos principais pelos quais podemos descobrir esse sentido, e cada um deles se conecta de forma íntima com a mensagem de paz e renovação que o Natal representa.
O primeiro é através do amor e dos relacionamentos. Ele afirma que o amor é a forma mais elevada de encontrar sentido. Durante sua prisão, ele manteve a esperança pensando na esposa e descobriu que, mesmo sem saber se ela ainda estava viva, o amor por ela lhe dava forças para continuar.
O Natal também nos lembra disso: é o tempo de olhar para o outro com empatia, de amar sem esperar retorno, de valorizar os vínculos que nos sustentam. Em um mundo que muitas vezes exalta o individualismo, essa lição ressoa com urgência.
Amigos, amigas, amizade
Amizade Crédito: Shutterstock
O segundo caminho é através do trabalho e da realização. nos dedicarmos a algo maior do que nós mesmos, que pode ser uma tarefa, uma causa, uma missão. Quando acreditamos que nosso esforço ou nosso trabalho contribuem para o bem comum e que dê propósito ao cotidiano.
O Natal também é um lembrete de serviço e doação. A história do nascimento de Jesus fala de humildade e entrega, um momento em que ecoa esse princípio: o sentido floresce quando usamos nossos dons para transformar o mundo ao redor.
O terceiro caminho é através da atitude diante do sofrimento. O sofrimento é inevitável em nossas vidas. Não temos como controlar como e quando o sofrimento nos atinge e principalmente sua intensidade em nossas vidas. A lição do autor é que, mesmo nos momentos de maior sofrimento, ainda temos alguma escolha. A escolha sobre de que forma vamos enfrentá-lo.
Viktor Frankl, um psiquiatra judeu, passou por quatro campos de concentração, um deles, Auschwitz. Perdeu toda a família, inclusive sua esposa grávida. Viu diversas pessoas sendo levadas para as câmaras de gás. De sua experiência ficam lições fundamentais para nós que não fomos testemunhas de atrocidades nem a vivemos:
“Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas - escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.”
Em um mundo marcado pela pressa e pela falta de propósito, as lições de Viktor Frankl e o espírito do Natal se encontram na mesma mensagem: O sentido da vida nasce do amor, da entrega e da coragem de seguir acreditando mesmo quando o caminho é incerto.
Também é uma lembrança de que nunca devemos esquecer a história, não para revivermos o sofrimento, mas para não a repetir. O ser humano pode ser um terrível carrasco, o mal pode nascer de pessoas que apenas julgam que estão desempenhando um papel, uma tarefa que foi dada por um superior, mas ainda assim, há escolha.
Neste Natal, talvez o presente mais valioso não esteja sob a árvore, mas na redescoberta do nosso próprio “porquê”. Que possamos escolher nossas ações de modo a não ferir outro ser humano, independentemente de credo, raça, religião, política, gênero. É a renovação em nossa disposição de dizer basta: ao racismo, ao feminicídio, ao antissemitismo, e há tantas outras formas de discriminação e ódio.
O Natal com todo seu simbolismo nasce dessa certeza: da luz que rompe a noite, do amor que renasce em meio aos desencontros, da fé que se mantém viva quando tudo parece desabar.
Entre luzes, reencontros e silêncios, o convite é o mesmo: reencontrar o sentido que dá paz à alma e propósito ao viver. Esse é o meu convite à esperança deste Natal! Um Feliz Natal!
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