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Decisão do governo

Fim do visto gold em Portugal pode atrapalhar novos investimentos

O setor imobiliário defende que a manutenção do visto é essencial para a captação de investimento internacional para o país, principalmente agora, num momento de forte retração econômica

Publicado em 13 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

13 out 2020 às 05:00
Fernando Manhães

Colunista

Fernando Manhães

fernandomanhaes@prix.com.br

Vista aérea de Portugal
Vista aérea de Portugal: valorização imobiliária continua apesar da pandemia Crédito: Divulgação
Até ao final do ano, o governo português irá restringir o benefício do visto Gold para investimentos imobiliários nas cidades de Lisboa e Porto. O visto Gold é uma modalidade de visto de residência em Portugal que concede ao seu titular uma autorização de residência no país. Através deste regime, ele incentiva o investimento de estrangeiros em Portugal, desde que atenda aos quesitos para solicitar o referido visto.
A maioria dos vistos até hoje - cerca de 90% -, foi para investimentos em aquisição imóveis em território português. Entretanto, esses imóveis estão localizados na região de Lisboa e Porto. Regiões essas que trazem para esses investidores boa fonte com o rendimento com aluguéis e também através do alojamento local, nas plataformas de arrendamento por temporada.
Contudo, no início deste ano, o governo aprovou uma mudança na legislação na concessão dos vistos, com restrição do investimento imobiliário nas cidades de Lisboa e Porto. Isso por se tratarem de cidades turísticas, cuja especulação imobiliária foi grande e os preços dos imóveis dispararam nos últimos anos, fazendo com que moradores locais fossem gradativamente afastados dos principais bairros dessas cidades, na razão do alto valor dos alugueis .
Em função da pandemia da Covid-19, o governo resolveu manter a possibilidade para este ano, mas já declarou que para 2021 o fim dos vistos Gold para Lisboa e Porto é um fato. O setor imobiliário defende que a manutenção do visto é essencial para a captação de investimento internacional para o país, principalmente agora, num momento de forte retração econômica.
Os chineses são os maiores investidores nessa modalidade. Os brasileiros também estão no top da lista entre os cinco maiores investidores. Entretanto, o governo é frequentemente acusado de não ter mecanismos de controle e auditoria para verificar a origem desses investimentos. Há suspeitas de lavagem de dinheiro no sistema. Por outro lado, regiões com cidades portuguesas menores, como Braga, por exemplo, podem se beneficiar com investimentos que, no primeiro momento, não iriam para essas cidades.
É importante destacar que o mercado imobiliário português se mantém aquecido, com discreta valorização dos imóveis, mesmo com o longo período de quarentena e queda nas vendas nos primeiros meses da pandemia.

Fernando Manhães

É publicitário e escreve sobre suas experiência em Portugal, com foco em consumo e sustentabilidade.

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