Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

História

7 e 8 de Setembro, as datas festivas e o imaginário em torno delas

Sete de Setembro era feriado escolar, mas não podíamos viajar, pescar, caçar rolinhas (naquela época podia) ou ir ao shopping (que não havia). O dia Sete de Setembro era comemorado festivamente com um desfile cívico-escolar
Francisco Aurelio Ribeiro

Publicado em 

08 set 2025 às 03:00

Publicado em 08 de Setembro de 2025 às 06:00

“Sete de Setembro/ Data tão festiva/ Foi a Independência/ Desta terra tão querida/Hoje está liberto […]/ Viva a Independência do Brasil/ do Brasil”
Esses eram os versos da "Canção da Independência", sabidos de cor e salteado pelos alunos da escola primária onde estudei, no Caparaó, há 60 anos. Havia também o “Hino da Independência”, dizem que composto pelo próprio D. Pedro I, mas tenho cá minhas dúvidas se não foi feito por um padre qualquer que entendia mais de composição musical do que ele, especialista em quengas e cavalos: “Já podeis da pátria, filhos,/ Ver contente a mãe gentil/ Já raiou a liberdade/ No horizonte do Brasil”.
Sempre havia um colega mais moleque que cantava: “Japonês tem quatro filhos…” O resto era tão politicamente incorreto que, se eu continuar a transcrição, posso ser processado pelas leis antidiscriminatórias atuais. O certo é que comemorávamos, com pompa e circunstância, a data magna do país, aquela em que lembrávamos o Grito do Ipiranga, o “Laços, fora, companheiros…”, o momento em que, em 1822, um príncipe português rebelava-se contra o próprio pai, o D. João Corno, tornando o Brasil liberto de Portugal, após 322 anos de dominação lusitana.
Era feriado escolar, mas não podíamos viajar, pescar, caçar rolinhas (naquela época podia) ou ir ao shopping (que não havia). O dia Sete de Setembro era comemorado festivamente com um desfile cívico-escolar, fizesse sol ou chuva, fosse domingo ou segunda. Todos os alunos e a sociedade organizada participavam da parada, como a chamávamos.
Lembro-me do último em que desfilei como Pe. José de Anchieta, em 1963, no meio de um monte de crianças fantasiadas com flecha, cocar, tanguinha e colar de contas de lágrima (alguém se lembra?), tudo enfeitado com penas de galinha branca tingidas de anilina, num calor danado, dentro daquela sotaina de padre jesuíta.
Após o desfile, suando e desidratado, jurei pra minha mãe que, no ano seguinte, queria ser indígena. Uma pena que, no ano seguinte, houve o golpe militar de 1964, e os desfiles foram transformados em parada militar. Todo mundo virou soldado, para defender o país do comunismo, do risco de virar satélite de Moscou, entre outras balelas. Todos sabem no que deu.
Mas, voltando àquele ultimo desfile de que participei na infância, o sonho de todo menino era ser o Pedro Álvares Cabral, que iniciava o cortejo vestido como sultão de Bagdá, dos tempos das mil e uma noites, ou o próprio D. Pedro I que, montado a cavalo, encenava o Grito do Ipiranga, o último ato daquele espetáculo teatral de história e de suposta cidadania.
Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro
Desfile Cívico-Militar de 7 de Setembro Crédito: Fernando Madeira
Só que, para ser um ou outro, tinha de ser de família rica, pois a roupa era cara e, no caso do último, saber montar a cavalo, o que poucos de nós sabíamos; por isso, os escolhidos eram, sempre, o Toni Lemos, filho do prefeito de Alegre, que, depois, virou cantor, e o Delfino, que se tornou vereador e era possuidor de um belo cavalo alazão que todos invejávamos.
Hoje, não sei como é comemorado o Dia da Independência nas escolas brasileiras. Nem sei também se as crianças sabem cantar aqueles hinos da nossa infância, desde que ficou fora de moda cultuar datas cívicas e heróis nacionais. Carregar bandeira e vestir verde e amarelo só de quatro em quatro anos, nas Copas de Mundo, ou os “patriotários” de oito de janeiro de 2023, data que jamais poderá ser esquecida.
Quanto ao oito de setembro, é uma data convencionada para se comemorar a fundação de Vitória, bem como o ano, 1551, sobre uma suposta vitória dos colonizadores portugueses sobre os povos originários da ilha de Guananira, ou ilha de Duarte Lemos ou Vila Nova do Espírito Santo. Vila de Nossa Senhora da Vitória é um nome posterior a essa data e surge como personagem nos autos de Anchieta. Enfim, tudo é história, realidade ou fantasia construídas pelo imaginário.
Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Solange Couto e Alberto Cowboy deixam rivalidade de lado para criticar Ana Paula
Imagem de destaque
Babu e Milena tomam chamada da produção após tramarem contra rivais
Imagem de destaque
Como Vitória reduziu em mais de 50% os crimes violentos?

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados