O ano chega ao fim e velhas práticas permanecem no comportamento humano. Se avançamos em alguns aspectos, em outros, o espírito bélico prevaleceu e guerras pipocam pelo mundo em diferentes partes do globo. Amar o próximo é o mais revolucionário desafio do ser humano, sempre, pois o que o impele é o instinto de destruição e de morte.
Nunca se matou tanto, no trânsito, nas famílias, nos assaltos. Os casos diários de feminicídio são uma prova contumaz de que o amor não venceu o ódio nem o machismo. O ano próximo é de eleições importantes para o país, em que escolheremos presidente, governador, deputados e senadores.
A polarização entre direita e esquerda só tende a aumentar, como vimos, recentemente, no episódio das sandálias. Muito barulho por nada, diria Shakespeare. Para aliviar a tensão da política, teremos a Copa do Mundo de Futebol, mas conseguirá o Ancelotti transformar um time de pouco brilho em uma equipe vencedora? O tempo dirá, mas acho que não.
Passo o réveillon na praia, todos os anos, e vejo como a multidão emporcalha a areia e o mar. Aprecio os fogos, mas sem barulho, pois temo o pânico dos cães e gatos e de pessoas que não suportam esses ruídos. Como sempre, o que é lindo para uns pode ser terrível para outros. As milhares de pessoas que vão às praias celebrar a passagem de ano, ver os fogos, brindar com amigos e familiares, ao saírem, deixam toneladas de lixo.
Ninguém tem a educação de levar o seu lixinho e colocar no lugar certo, na lixeira. No outro dia, de madrugada ainda, centenas de garis trabalham arduamente, para deixar a praia limpinha para os usuários que a poluirão, rapidinho. E assim é, sempre. Ao final do dia, praias e cachoeiras, rios e lagoas, tudo fica repleto de lixo humano, de gente sem a menor consciência ambiental ou de respeito à natureza. Poderíamos aprender só um pouquinho com os japoneses, o povo mais ordeiro e respeitador de todos que conhecemos.
Outro problema é a venda de tudo nas praias, um hábito comum por aqui e proibido em outros países. Brasileiro adora comprar e comer tudo o que vendem na praia, mas não sabe o que fazer com os detritos da comilança. Antigamente, comia-se milho verde, naturalmente, enrolado na folha da espiga. Sobrava o sabugo, fácil de catar e de jogar no lixo.
Agora, o milho é cortado e posto em pratinhos descartáveis, para ser comido com colherinhas. Puro lixo! Dia desses, contei dezenas deles espalhados pela areia. Um horror! Mais difícil ainda é educar o povo a não jogar a sacola e o palito de picolé na areia, mesmo que o carrinho do vendedor tenha uma lixeira.
As crianças saboreiam o picolé e, depois, enterram o palito e a sacola de plástico na areia, com a conivência ou o ‘tô nem aí” dos pais, quase sempre grudados às telas dos celulares, sem tempo ou disposição para ensinar às crianças. Final de tarde, no verão, as praias brasileiras parecem cenário de guerra.
Somos um povo barulhento, por natureza, dizem que um dos mais alegres do mundo. Será que o índice de felicidade é medido por decibéis ou mililitros de álcool ingeridos? Não adianta proibir som alto na praia, porque cada carro ou barraca liga o seu, no mais alto volume, e daí para o inferno é um passo.
Ninguém mais vai à praia para ouvir o barulho do mar, sentir o vento, o sal, curtir a natureza. Hoje, o que importa é fotografar e filmar tudo, para postar, nas redes sociais. “Ó eu aqui, miga, curtindo uma praia no Esprito Santo!”. Só não olha a onda, que a arrasta com celular e tudo.
Neste início de verão, quente e chuvoso, como é contumaz, todo cuidado é pouco. Tento caminhar pela beira-mar, como faço há meio século, pois gosto de sentir a água gelada nos pés, sem levar uma raquetada de frescobol, uma mãozada de areia de uma criança mal-educada ou uma bolada nas costas. Há, também, o problema dos “banana-boats”; antigamente era um só, o do Fred (Mercury?); agora, tem Shakira e não sei quantos mais, com cordas para impedir o caminhar e um perigo para nadar, por causa das lanchas, que podem passar por cima da gente, num piscar de olhos.
No mais, ficar muito atento, pois, ao atravessarmos a pista, podemos ser atropelados por uma bicicleta motorizada em alta velocidade, o novo terror dos idosos. Sobrevivemos a 2025, que venha o próximo. Deus no comando!