Levy Cúrcio da Rocha nasceu em São João do Muqui, em 14 de março de 1916. Filho de Emílio Coelho da Rocha e Vivência Cúrcio da Rocha. Casou-se com a professora Anna Bernardes da Silveira Rocha, também Acadêmica. O autor passou a infância no arraial de São Felipe, cenário que escolheu para romance, envolvido nas recordações de acontecimentos assistidos naquela época.
Seus primeiros pruridos literários lá ocorreram, ao cursar a escola primária. Inaugurava-se a luz elétrica, quando o garoto subiu a um pequeno coreto para ler seu discurso de louvor ao melhoramento distrital. Acotovelou-se entre autoridades que o tempo se incumbiu de tornar-se amigos constantes: o Dr. Mário Freire, que secretariava o governo estadual, e o engenheiro Luiz Derenzi, eminentes cultores da história espírito-santense.
Duas outras personalidades se faziam presentes: o engenheiro Gustavo Corção, que representava a Cia. de Eletricidade, e o farmacêutico local, o poeta Almeida Cousin, que vinha terminar a redação do seu portentoso poema brasilístico: Itamonte.
O estudante Levy transferiu-se para Cachoeiro de Itapemirim onde foi cursar o ginásio do colégio Pedro Palácios, mantendo-se ligado à vida do arraial. Em 1931, lançou, de parceria com seu amigo Francisco Borges, o primeiro jornal de São Felipe: O Riso. Jornalzinho crítico e humorístico, com duas colunas e o tamanho de um palmo.
Terminado o 2º ciclo de estudos, Levy Rocha permaneceu no mesmo Colégio, passando ao corpo docente como autodidata. Estreou na imprensa local como cronista, colaborando esporadicamente no Correio do Sul e, mais tarde, no Arauto. Passou a publicar contos na revista Vida Capichaba, em Vitória, e crônicas em A Gazeta, desde 1935. Alcançou A Tribuna ao tempo em que Reis Vidal reformou o jornal, na época da guerra.
Vitória foi uma atração para Levy cursar a Faculdade de Farmácia e Odontologia e a proximidade do Rio uma tentação para procurar colaborar em O Jornal e nas revistas O Malho, Carioca e outras. Estampando algumas crônicas no suplemento Singra, distribuído como encarte nos principais jornais, Levy Rocha conseguiu atingir os rincões do país.
Incursionando na história, em colunas do Jornal do Comércio, do Rio, o autor animou-se a partir para o seu 1º livro: Viagem de Pedro II ao Espírito Santo, inserto no volume nº 246 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em separata. Aquele ano, de 1960, comemorativo do centenário da viagem imperial, representou um marco na vida do autor que passou a residir em Brasília.
Em 1966, Levy Rocha reuniu algumas colaborações de História e lançou, numa gráfica carioca, Crônicas de Cachoeiro. Três anos depois, procurando tirar do esquecimento e evitar perda irreparável a um rico acervo - a coleção do 1º jornal litografado da província capixaba - lançou monografia mimeografada: “Os Vieira da Cunha e o jornal Martello".
Firmando-se em Brasília como comerciante, manteve sempre o “hobby” literário. Na Ebrasa, editora local, lançou, em 1971: Viajantes Estrangeiros no Espírito Santo. Em 1977, Levy Rocha publicou seu livro de crônicas: De Vasco Coutinho aos Contemporâneos e, em 1978, o romance Marapé.
Faleceu em Vila Velha, no dia 16 de julho de 2004. Seu nome foi dado à Biblioteca Pública Estadual. Em 2008, o governo estadual publicou uma primorosa edição do Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. A filha de Levy Rocha doou o seu precioso acervo ao IHGVV, dentre eles alguns inéditos como o “Instantes de Poesia”, ilustrado por Rachel Braga e “Histórias Capixabas”, que merecem ser reeditados.
Convento da Penha – Vila Velha do Espírito Santo
Elevado audaciosamente no cume de um rochedo, a 145 metros de altitude, exposto à fúria dos raios e à violência eólia, em seus quatro séculos de existência, o Convento da Penha tem sofrido avarias e passado por reformas consequentes, por transformações e mesmo por algumas transfigurações arquitetônicas. Daí ressaltarem, em importância para a história, os apontamentos de Dom Pedro II sobre a sua visita àquele convento. Eles completam, em alguns pontos, o mais extenso documentário da época, escrito pelo ex-Presidente da Província, Coronel José Joaquim Machado de Oliveira, e publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Naquele tempo, a viagem a Vitória era feita em barco e existia, ao lado do portão de entrada do convento, um antigo barracão servindo de cais.
(In: ROCHA, Levy. Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. Revista Continente Editorial/INL – MEC, p. 77-78).