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Acidentes de trânsito

Mais uma vez e por experiência própria: viva o SUS!

Naquela sala, em que permaneci algumas horas por causa de um acidente de trabalho, pude conviver com os pequenos dramas recorrentes dessa grande tragédia brasileira
Francisco Aurelio Ribeiro

Publicado em 

09 fev 2026 às 03:30

Publicado em 09 de Fevereiro de 2026 às 06:30

Durante a pandemia de Covid-19, de triste lembrança, nos acostumamos a ver, nos noticiários, os feitos heroicos de médicos e enfermeiros, arriscando as suas vidas para salvar as pessoas, naquele período dramático da história da humanidade. Felizmente, graças a pesquisas científicas, vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde e a maior parte da humanidade foi salva.
O estrago foi bem menor do que o ocorrido no período da Peste Negra, na Idade Média, ou em outro surtos pandêmicos de varíola, febre amarela, malária, gripes diversas, tuberculose, hanseníase, paralisia infantil, sarampo, aids, ou seja, o ser humano estará sempre sujeito a vírus e a bactérias e obrigado a se defender deles. Parece que o próximo é o nipah, que pode não se espalhar pelo mundo como ocorreu com o ebola e o mpox. Quem viver verá, ou não.
Hoje, no Brasil, convivemos com uma tragédia cuja causa somos nós mesmos, a imprudência ou a imperícia humanas, sem a culpa de nenhum vírus ou bactéria. Trata-se dos acidentes de trânsito, que matam, em nosso país, cerca de 180 pessoas por dia. No Espírito Santo, foram 1.004 vidas perdidas, em 2025. Eu me deparo com acidentes de trânsito, diariamente, tanto na cidade quanto na rodovia que percorro para ir ao sítio, em Domingos Martins.
Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), o antigo São Lucas, em Vitória
Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), o antigo São Lucas, em Vitória Crédito: Vinicius Zagoto
As BRs 101 e 262, que cortam o ES, estão no topo dos acidentes de trânsito com morte, pois são estradas perigosas, e a velocidade e a imprudência dos motoristas colocam em risco a vida de todos. Parece que todos têm pressa para chegar a algum lugar, mas, geralmente, o destino mais próximo é o cemitério.
Não temos estradas para os carrões que são fabricados para as autopistas europeias nem ferrovias para transportar cargas e passageiros. As carretas são, geralmente, conduzidas por motoristas estressados, às vezes, drogados, e todos à sua frente são inimigos potenciais de sua pressa.
Domingo passado, sofri um acidente de trabalho, não de trânsito, tive quatro dedos da mão direita amputados, no sítio onde passo os fins de semana, e fui levado ao hospital de Domingos Martins, onde uma equipe muito atenciosa me prestou os primeiros socorros. Enfaixaram minha mão, tiraram o RX, me deram um analgésico e me encaminharam, de ambulância, ao Hospital de Urgência e Emergência do ES, antigo Hospital São Lucas.
Fui acompanhado por eficiente técnica em enfermagem, que media meus sinais vitais e secava em toalhas de papel o sangue que vertia copiosamente. No hospital, fui prontamente atendido, sem muita burocracia, e me colocaram em uma sala de pré-operatório, com uma dezenas de pessoas, a maioria vítima de acidentes de trânsito.
Duas horas após o atendimento, fui operado, tive os ferimentos suturados e encaminhado a outra sala de pós-operatório, com mais algumas pessoas, já atendidas. Todos ali eram homens, a grande parte jovens e, em sua maioria, vítimas de acidente de trânsito. A enfermeira me disse que o número de vítimas aumenta, ao final do dia, quando motoristas saem embriagados e vão dirigir.
Mas nem sempre o álcool provoca estrago, só em quem o ingere. Pedro, ao meu lado, 25 anos, me contou que estava na garupa da moto com a irmã, quando um carro na contramão os pegou; a irmã pouco sofreu, mas ele havia fraturado pernas e braços e estava preocupado com a família, mulher e filhos, que sustentava com o seu trabalho informal. O outro, João, na maca à frente, também colidira com um carro em alta velocidade, estava todo quebrado, e se preocupava com a moto, que tinha ficado no local do acidente e temia ser furtada.
Naquela sala, em que permaneci algumas horas, pude conviver com os pequenos dramas recorrentes dessa grande tragédia brasileira, os acidentes de trânsito, que vitimaram 37.150 pessoas em 2024 e pode ser bem maior, em 2025. Pelo menos, temos o Sistema Único de Saúde – o SUS – que atende a todos, sem burocracia e de forma eficiente, um exemplo para o mundo. Viva o SUS!
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