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Literatura

Memória do Espírito Santo: o centenário do professor Aylton Bermudes

Embora não contemos com a sua presença física, ele nos deixou um grande exemplo de ser humano, com sua integridade moral, erudição, simplicidade, fineza no trato, humildade, respeito ao ser humano e às suas diferenças

Publicado em 02 de Agosto de 2021 às 13:50

Públicado em 

02 ago 2021 às 13:50
Francisco Aurelio Ribeiro

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Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

O professor e jurista Aylton Rocha Bermudes
O professor e jurista Aylton Rocha Bermudes Crédito: Reprodução/Facebook Francisco Aurélio Ribeiro
Neste ano, comemoramos o centenário de nascimento da Academia Espírito-santense de Letras e o do professor Aylton Rocha Bermudes, nascido em 24 de julho de 1921, em Timbuí, distrito de Fundão. Gostaríamos de tê-lo tido em nosso meio, para celebrarmos juntos uma data tão especial, mas ele se adiantou e nos deixou, em março, quatro meses antes de comemorar o seu centenário.
E, embora não contemos com a sua presença física, nos deixou um grande exemplo de ser humano, com sua integridade moral, erudição, simplicidade, fineza no trato, humildade, respeito ao ser humano e às suas diferenças. Foi nosso decano e orador por muito tempo e até os noventa e tantos anos participou ativamente de nossas reuniões e de nossas festividades. Foi vice-presidente da AEL, em meu primeiro mandato como presidente, e, com Dª Maria Helena Teixeira de Siqueira, nos ajudou no acordo com a Prefeitura Municipal de Vitória, quando ali tínhamos uma vultosa dívida ativa.
Conheci o professor Aylton Bermudes assim que vim para Vitória, em 1980, apresentado por minha esposa, que tinha sido sua aluna no Liceu, em Cachoeiro, e por Miguel Tallon, meu colega professor na Ufes. Ele me recebeu como se eu fora também um dos seus inúmeros alunos, e assim o tratei e senti sempre, pois sempre foi O professor de toda a nossa geração.
Na década de 1980, estive muito envolvido em estabilizar minha vida de professor, atuando em escolas estaduais e federais, fazendo mestrado e doutorado, fora do Espírito Santo, e criando os filhos. Minha convivência com o professor Aylton só se aprofundou, quando ingressei no Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo, em 1992, e na Academia Espírito-santense de Letras, em 1993, levado pelas mãos seguras dos amigos Renato Pacheco e Miguel Depes Tallon. Era um grande prazer conversar com ele, beber de suas palavras e ouvi-lo em seus eloquentes discursos, visto que era orador nas duas instituições venerandas.
De 1992 a 1996, fui secretário de Produção e Difusão Cultural da Ufes, e, de 1996 a 1998, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras da mesma instituição, criado em 1994. Sempre o encontrava nos eventos culturais, lançamento de livros, a Dezembrada do IHGES, criada por Miguel Tallon, era o ponto alto dessas festividades, e nas reuniões da AEL e do IHGES. Todavia, em 1998, ele foi um dos responsáveis por lançar meu nome à presidência da AEL, juntamente com o desembargador Antônio José Miguel Feu Rosa, Renato Pacheco, Taneco e Migue Tallon. Aceitei com a condição de tê-lo na vice-presidência, junto com a Dª Maria Helena.
Em 1998, indiquei ao professor Aylton uma editora, para publicar seu romance “Nos sulcos do tempo”, obra de raro valor literário e memorialístico. No entanto, a maioria de sua obra, artigos, discursos, contos, poemas, ensaios, encontrava-se dispersa, publicada em jornais e revistas de nosso Estado.
Recentemente, incentivei os filhos a publicar o livro “Memória Literária” com material constante em sua pasta na AEL. Trata-se de pequena mostra de sua vasta produção dispersa em jornais e revistas, dentre os quais o discurso memorável que fez na comemoração dos 73 anos de nossa Academia, em 1994, que poderia, perfeitamente, ser lido, hoje, no centenário; três poemas, escritos em épocas diversas; o antológico conto “Ligeiro” e a não menos sensível e pungente crônica “Adão”.
A maioria dos textos é de ensaios sobre obras literárias, autores e personagens da cultura capixaba, os eruditos artigos jurídicos sobre o Tribunal de Contas, e os ensaios linguísticos e filológicos sobre a língua portuguesa ou sobre sua terra de adoção, Cachoeiro de Itapemirim. Com este “Memória Literária”, queremos manter para sempre viva a memória desse extraordinário intelectual capixaba, um dos maiores do seu tempo.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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