Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Preconceito

Tanto lá quanto cá, em qualquer local, vidas sempre importam

Tanto lá como cá, o racismo é uma doença contagiosa, embutida no seio da sociedade, que discrimina, segrega, diminui e mata as pessoas pela cor da pele. Tanto lá como cá, “negro parado é suspeito, negro correndo é ladrão”

Publicado em 08 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

08 jun 2020 às 05:00
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

George Floyd era o segurança de um estabelecimento comercial
George Floyd era o segurança de um estabelecimento comercial Crédito: Reprodução | Twitter
Desde o dia 25 de maio, após o assassinato covarde de George Floyd pelo policial Derek Chauvin, de Minneapolis, começou nos Estados Unidos e se alastrou pelo mundo um movimento de protesto contra o racismo, o “Vidas negras importam”. Tanto lá como cá, o racismo é uma doença contagiosa, embutida no seio da sociedade, que discrimina, segrega, diminui e mata as pessoas pela cor da pele. Tanto lá como cá, “negro parado é suspeito, negro correndo é ladrão”.
Como se não bastasse, o atual momento de epidemia em que vivemos atinge potencialmente os mais pobres, que não vivem em condições sanitárias adequadas e não têm os recursos suficientes para tratamento de saúde. E não por acaso, a maioria da população pobre, aqui e lá, é negra, fruto da perversa escravidão que sustentou nossa sociedade por quatrocentos anos. Tanto lá como cá, os negros brasileiros e americanos têm menos escolaridade, acesso à saúde e a emprego, são sub-representados no sistema político e na indústria cultural.
Por aqui, não somente as vidas negras importam. Na Amazônia brasileira, onde vive a maioria da população indígena, milhares de pessoas estão morrendo à mingua, sem ter acesso aos caros procedimentos médicos utilizados para os infectados em São Paulo, Rio ou aqui, no Espírito Santo, onde existem leitos nos hospitais e UTIs com respiradores, ainda que já em fase de saturação.
Imagens de caixões transportados por caminhões do Exército italiano percorreram o mundo, há dois meses, assustando-nos. Hoje, no Brasil, as pessoas estão sendo enterradas em pilhas, em valas comuns, sem direito a velório e a pranto de seus entes queridos. Já ultrapassamos os mortos da Itália, e, em breve, deveremos estar na desonrosa lista de vice-campeões do mundo em mortalidade por Covid-19. Mais uma vez, o Brasil se curva aos EUA, até na desgraça de seu povo.
Tanto lá como cá, temos presidentes nazifascistas, que priorizam os ricos e a minoria branca, o capital acima da vida. Tanto lá como cá, temos líderes no poder que estimulam o ódio na população, falando em nome de Deus, colocando a ”Pátria acima de tudo”, como se o conceito de pátria incluísse apenas os áulicos que os apoiam.
Somente num governo suprematista como o nosso, não temos pessoas negras em cargos de primeiro escalão, e quando é nomeado um negro, como o atual presidente da Fundação Palmares, ele chama o movimento que luta pelo direito dos negros de “escória”, desconhecendo que oito entre dez pessoas mortas em nosso país são negras.
Deve-se armar a população com saúde, educação e cultura, como afirmou o ministro Barroso. Diante de um “e daí?” ou “fazer o quê? É o destino”, remeto ao poema de Adilson Vilaça, escrito em 2/06, intitulado “Quem é o dono desta morte?”:
“Era mulher. Quase um vulto. Um corpo puído na manhã desnuda. Meia dúzia de curiosos compunha o velório. Alguns, mascarados; outros, soberbos de confiança. Ela repousava os ossos sobre catre de papelão. Mais de meio século, certamente. Grenhas maltratadas esfiapavam-se encardidas. Seria filha de quem? Irmã de quem? Mãe de alguém? Com certeza, órfã. Ou filha da indigência. [...] Era mulher, era negra. Agora é um defunto órfão. Que irá ascender ao céu de anônima cova rasa. Quem era mesmo seu dono? Quem é o dono desta morte? Quem foi que a matou?”.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Lula diz que terminou radioterapia e que cura do câncer de pele foi definitiva
Segunda Ponte
Segunda Ponte: ordem de serviço para criar 5ª faixa será assinada na segunda (15)
Imagem de destaque
Vereadores de Aracruz vão ter direito a R$ 10 mil para reembolso de despesas

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados