Com coautoria de Aridelmo Teixeira, presidente do Instituto Fucape
Pois é, toda vez que se fala em crime organizado ou violência em geral, forma-se uma unanimidade em reconhecer a necessidade de levar serviços públicos de qualidade e reduzir a desigualdade social. Contudo, na prática, as verbas vão para as polícias, as leis só fazem aumentar penas criminais etc. Isso é contradição ou estupidez consentida? Ocupantes de cargos eletivos tendem a jogar para a torcida, não para a vitória, mas é essa torcida quem aplaude firulas sem objetivo prático.
Muitos dirão que isso é lindo, mas seria investimento para o longo prazo e precisamos de resultados imediatos, como se a urgência de hoje não fosse filha da negligência de ontem. Além disso, estão redondamente enganados, ao menos no que diz respeito à Educação.
É claro que, ao concluir seus estudos, 9, 12 ou mesmo 20 anos depois de iniciá-los, o aluno conseguirá se inserir muito melhor tanto no mercado de trabalho como na sociedade em geral. Quem é analfabeto funcional e mal sabe as quatro operações básicas será uma eterna vítima de contratos que não compreende, de políticos que elege sem conhecer etc. Mas também há poderosos resultados imediatos contra o crime.
Está mais que comprovada a associação direta entre evasão escolar e envolvimento com o crime e isso acontece na passagem do ensino fundamental 1 para o fundamental 2. As facções competem diretamente com a escola. Se fosse possível, em um passe de mágica, manter todos os alunos estudando no antigo “ginásio”, no dia seguinte faltaria mão de obra para os traficantes. Contudo, podemos afirmar muito além.
Escolas mantêm os alunos a salvo do assédio dos traficantes, mas a bomba atômica contra todo tipo de crime, comum ou organizado, e também contra a violência doméstica, seriam as escolas de tempo integral estendido. A ideia é que o aluno, entrasse no colégio antes e permanecesse depois de cumprir todas as tarefas didáticas.
A proposta é manter o aluno recebendo alimentação e ocupado com qualquer atividade sadia de sua preferência, desde o momento em que sua mãe precisa pegar o ônibus para ir ao trabalho até o horário em que voltasse. Assim, no momento de maior vulnerabilidade psicossocial, nossas crianças permaneceriam sob supervisão adulta e, ao mesmo tempo, associariam a escola a momentos divertidos e informais, não apenas aulas e tarefas. De quebra, criaríamos condições ideais para que todas as mulheres pudessem se inserir no mercado de trabalho, ter renda própria e não depender de ninguém.
Não estamos falando, portanto, de necessariamente aumentar a carga horária letiva, apenas o período de acolhimento das crianças pelo serviço público. Isso também seria condição indispensável para falar em meritocracia, porque ajudaria a equilibrar o jogo entre crianças ricas e pobres. E ajudaria a estruturar os lares, as famílias.
Metam na cabeça: a polícia só apaga incêndios, só faz a contenção urgente. Quem tira bandido da rua é o professor. Tenho dito.