Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Análise

Por que é tão importante e difícil mudar as coisas na segurança pública?

Com um pouco de racionalidade, um mínimo conhecimento de causa e vontade sincera de melhorar a nossa segurança, podemos fazer alguns diagnósticos e prognósticos

Publicado em 13 de Novembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 nov 2022 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

Brasil tem enormes problemas de violência, mas o consenso acaba aqui. Muitos – entre eles – defendem o completo e radical desarmamento da população civil; outros – e não poucos –, exatamente o contrário; e tem um monte de gente cuja opinião é um meio termo. Outro consenso é o de que estamos perdendo de 7 x 1 a luta contra as drogas, mas ninguém se entende sobre o que fazer – na verdade, nem se devemos fazer algo ou deixar tudo como está.
Apesar disso, com um pouco de racionalidade, um mínimo conhecimento de causa e vontade sincera de melhorar a nossa segurança, podemos fazer alguns diagnósticos e prognósticos. Como o espaço é curto, vamos fazer uma série de artigos, começando pelo nosso quintal.
É nítido que algumas de nossas forças policiais têm índices alarmantes de corrupção e brutalidade a tal nível que precisam ser refundadas: não tem como consertá-las. Outras, e destaco as do Espírito Santo, embora também tenham lá seus problemas pontuais, atingiram alto grau de profissionalismo. Claro que sempre podem melhorar, mas é preciso entender que existe um limite de efetividade além do qual pouco se pode avançar.
PMES já faz um trabalho excelente e não dá para exigir muito mais dela. Aumentos de efetivo não farão grande diferença. Se quisermos fazer algo de importante pela corporação, é curar as feridas ainda abertas e atentar para as cicatrizes deixadas pelo movimento paredista de 2017. É um erro estratégico fazer concurso para ingressos, especialmente em grandes levas, porque isso custa caro, está longe de ser o mais importante e até atrapalha a resolver o que pode e deve ser resolvido.
Polícia Civil, que nunca atingiu um contingente compatível com suas atribuições, está novamente defasada. Mal consegue atender aos flagrantes trazidos pela PM e Guardas Municipais, sobrando apenas o suficiente para investigar homicídios e latrocínios. A instituição já esteve mais unida e harmônica, mas, aqui, sim, a grande questão é a falta de pessoal. A autonomia das perícias, se bem gerenciada, pode render bons frutos.
A Polícia Penal, por sua vez, enfrenta três problemas: contingente completamente defasado para a quantidade de presos; uma proporção excessiva de agentes em designação temporária, que não podem portar armamentos; e uma gestão que não tem nada a ser elogiado. O sistema carcerário capixaba é, de longe, a nossa pior fragilidade e o item mais inexplicavelmente negligenciado pelo governo.
Já as guardas municipais estão às voltas com mudanças na jurisprudência do STJ e do STF que serão um grande desafio para que possam continuar atuando mais diretamente na segurança pública, em vez de se limitar a cuidar do trânsito e proteger bens e serviços da prefeitura.
Aqui no Estado, como se vê, as coisas estão relativamente tranquilas, embora tensas. Há desafios, mas estão inteiramente à altura da capacidade dos governos estadual e municipais. Em terras capixabas, se não houver bons progressos, é porque não quiseram ou não souberam. Já para o novo governo federal, a tarefa é muito mais desafiadora.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mais conhecida como Baiana, Evani dos Santos Reis é a presidente do Sindilimpe-ES
Gari, mulher e negra: a provável suplente de Contarato na campanha ao Senado
Imagem de destaque
Dois anos após o crime, casal é condenado por morte de jovem em Aracruz
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes
ES está entre os estados mais expostos às novas tarifas dos EUA, aponta Findes

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados