Sair
Assine
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Violência em Vila Velha

Quando as coisas parecem estar saindo do controle, é urgente não fazer nada

Os serviços de inteligência são mais importantes que nunca. Agir sem identificar exatamente que cordas se estão tangendo é realmente não saber que música se está a tocar, muito menos quem vai dançar

Publicado em 01 de Maio de 2022 às 02:00

Públicado em 

01 mai 2022 às 02:00
Henrique Herkenhoff

Colunista

Henrique Herkenhoff

henriquegh@gmail.com

violência fatal em Vila Velha tem ocupado as manchetes. Para variar, não apenas pessoas envolvidas com o tráfico são vitimadas, mas também outras atingidas apenas porque estavam no lugar errado na hora errada. Como já dissemos aqui, aumentos muito drásticos nessas estatísticas geralmente estão associados a disputas entre gangues.
Há uma espécie de micro-geopolítica do tráfico e da violência. Parece, às vezes, com o que ocorre no Oriente Médio. Não são apenas conflitos entre muçulmanos e judeus. Para começo de conversa, há vários grupos diferentes no Islã com violentas rivalidades internas, sendo que os drusos nem sequer são universalmente considerados entre islamitas. E tem os cristãos, os curdos... Hebreu, israelense e judeu também não são sinônimos.
No meio de toda essa complexidade, políticos muitas vezes cínicos e manipuladores defendem interesses que nada têm a ver com religião ou etnia. As fronteiras foram arbitrariamente fixadas por países ocidentais sem sequer levar em consideração as afinidades e desavenças entre as populações de cada país.
Uma estratégia linear jamais será adequada para lidar com essas situações, criadas ou surgidas. As ações indiretas são muito mais relevantes e é preciso, antes de mais nada, desenvolver a capacidade de enxergar ordem no caos e de lidar com a incerteza. Em outras palavras, prender o maior número de pessoas costuma não servir para nada e, muito frequentemente, só piora as coisas, pois o enfraquecimento momentâneo de um ator dessa trama incentivará seus rivais a tentar explorar essa fragilidade passageira, gerando mais – e não menos – tiroteios em via pública.
Claro, também, que é necessária grande quantidade de informação sobre o que se passa nos bastidores ou embaixo do palco, nas coxias e nos camarins. Os serviços de inteligência são mais importantes que nunca. Agir sem identificar exatamente que cordas se estão tangendo é realmente não saber que música se está a tocar, muito menos quem vai dançar.
Tudo isso para dizer algo completamente contraintuitivo: aumentar o policiamento ostensivo não ajudará em nada e muito provavelmente vai piorar as coisas. Quando as coisas parecem estar saindo um pouco do controle, é urgente não fazer nada, pelo menos até que se descubra exatamente o que vem acontecendo e que pedrinhas mexer para, mediante reações em cadeia e aparentemente caóticas, atingir-se o objetivo estrategicamente definido.

Henrique Herkenhoff

É professor do mestrado em Segurança Pública da UVV. Faz análises sobre a violência urbana e a criminalidade, explicando as causas e apontando caminhos para uma sociedade mais pacífica. Escreve aos domingos

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Temporal com queda de granizo danificou telhados e lavouras de café em Muniz Freire, no Caparaó do ES
Muniz Freire decreta situação de emergência após tempestade com granizo
Imagem de destaque
6 chás para os rins: veja opções naturais para complementar os cuidados com a saúde
Bancada do Espírito Santo na Câmara dos Deputados
Maioria da bancada do ES apoia redução da maioridade penal para 16 anos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados