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Segurança pública

Um conto de Natal sobre os moradores de rua

O primeiro passo é começarmos a diagnosticar direito. A incompreensão é compreensível, mas não ajuda a resolver nada
Henrique Herkenhoff

Publicado em 

28 dez 2025 às 04:00

Publicado em 28 de Dezembro de 2025 às 07:00

A editoria me encomendou o mais difícil: tema natalino na segurança pública. E sem brincar com Papai Noel, que poderia ser considerado gordofobia ou etarismo. Mas a polícia não para de trabalhar no fim de ano, pelo contrário, então sempre dá para tirar vinho de pedra. Porque tem gente que vai passar as “festas” na rua, ao relento, então dá para lembrar da obra de Dickens e nem precisa entrar em polêmica sobre padre nenhum.
Para começo de conversa, não gosto de eufemismos. “População em situação de rua” nem sequer é gramaticalmente correto. Nem politicamente. As questões sociais não se resolvem escondendo, negando, disfarçando, amenizando as imagens ou as expressões idiomáticas.
O primeiro passo é começarmos a diagnosticar direito. A incompreensão é compreensível, mas não ajuda a resolver nada. Muitos dos moradores de rua têm um aspecto bastante estranho e quem está de fora tem medo. Muitos têm problemas psiquiátricos, inclusive dependência química, principalmente de crack, mas somente uma pequena minoria se envolve em crimes patrimoniais para sustentar o vício, provavelmente menos de 5%, segundo levantamentos de inteligência. A maioria pede esmolas, “vigia” automóveis e coisas semelhantes, uma parte se prostitui, enfim, fazem quase tudo para obter algum dinheiro, mas sabem que acabarão indo para a cadeia se ficarem furtando e, principalmente, assaltando.
É meio doído dizer, mas dando esmola você provavelmente estará apenas mantendo a lucratividade da boca de fumo. E não adianta entregar alimentos em vez de dinheiro, porque eles conseguem trocar por pedras mágicas. A assistência social deve ser feita pela administração pública, mas, se alguém quiser ajudar pessoalmente, melhor fazer através de sua igreja ou instituições de caridade que assegurem que a sua contribuição realmente chegue a quem precisa, não ao traficante.
Outro detalhe importante: nem todo mundo que consome crack se transforma em fantasma nas cracolândias. Obviamente não temos como fazer estatísticas, mas estimativas razoáveis indicam que apenas 1% viva nas ruas e nem todos são pobres. Mesmo a ponta representa 10% do iceberg, então a parte do crack que todo mundo vê não reflete a realidade. Seu vizinho pode muito bem estar queimando pedras sem que você perceba.
Nada disso significa que seja um problema insolúvel, um apocalipse zumbi, mas raciocínios desinformados e simplistas levam a conclusões que, além de desumanas e ilegais, são completamente ineficazes. Há certos momentos em que ter compaixão é um ato de egoísmo.
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