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Coluna Terra

IPCC 2022: cenário preocupante que nos exige mudanças urgentes

É fundamental que a sociedade mundial se conscientize dos riscos eminentes que estamos vivendo. Estamos muito perto de conviver com crises climáticas ainda mais graves

Publicado em 13 de Março de 2022 às 02:00

Públicado em 

13 mar 2022 às 02:00
Isabela Castello

Colunista

Isabela Castello

isabelacastello.colunista@gmail.com

mudanças climáticas
As mudanças climáticas já estão causando perturbações generalizadas em todas as partes do mundo Crédito: Shutterstock
Na edição de hoje, infelizmente, não trazemos boas notícias.
O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas divulgou, recentemente, o relatório IPCC 2022, que traça um cenário preocupante e nos exige mudanças urgentes e radicais.
É fundamental que a sociedade mundial se conscientize dos riscos eminentes que estamos vivendo. Estamos muito perto de conviver com crises climáticas ainda mais graves.
Para evidenciar a gravidade da situação, transcrevo abaixo um trecho do discurso do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para a coletiva de imprensa do lançamento do relatório do IPCC, em 28 de fevereiro de 2022.
“Já vi muitos relatórios científicos na minha vida, mas nunca nenhum como esse. O mais recente relatório do IPCC é um atlas do sofrimento humano, uma condenação a uma liderança climática falida. Dado após dado, esse relatório revela como as pessoas e o planeta estão sendo maltratadas pelas mudanças climáticas. Quase metade da humanidade está vivendo numa zona de perigo – nesse exato instante. Muitos ecossistemas já se encontram num caminho sem retorno – nesse exato instante. Fora de controle, a poluição por carbono está levando os mais vulneráveis a uma marcha rumo à destruição – nesse exato instante. Os fatos são inegáveis.”

VOCÊ SABIA QUE:

mudanças climáticas
As mudanças climáticas já estão causando perturbações generalizadas em todas as partes do mundo Crédito: Shutterstock

  • As mudanças climáticas já estão causando perturbações generalizadas em todas as partes do mundo com o aquecimento atual de 1,1°C.
  • Secas devastadoras, calor extremo e inundações recordes já ameaçam a vida de milhões de pessoas.
  • Desde 2008, inundações e tempestades catastróficas forçaram mais de 20 milhões de pessoas por ano a deixarem suas casas.
  • Veja os casos recentes no nosso país: sul da Bahia, Petrópolis e norte de Minas Gerais. Além de muitos outros casos no mundo.
  • Hoje, metade da população mundial enfrenta insegurança hídrica em pelo menos um mês a cada ano.
  • Incêndios florestais estão queimando áreas mais extensas do que antes em muitas regiões, levando a mudanças irreversíveis na paisagem.
  • O IPCC estima que, apenas ao longo da próxima década, as mudanças climáticas vão colocar entre 32 milhões e 132 milhões de pessoas na pobreza extrema.
  • O aquecimento global colocará em risco a segurança alimentar e aumentará a incidência de doenças cardíacas, dificuldades com a saúde mental e de mortes relacionadas ao calor.
  • Um adicional de 350 milhões de pessoas enfrentarão escassez de água até 2030;
  • Até 14% das espécies terrestres estarão em risco de extinção.
  • Se o aquecimento passar de 1,5°C, mesmo que temporariamente, efeitos mais severos e até irreversíveis vão acontecer, como tempestades mais fortes, secas, ondas de calor mais longas, aumento do nível do mar, perda de gelo no mar Ártico e das camadas de gelo.

A BOA NOTÍCIA

Em meio a tantas notícias extremamente negativas, há uma única boa notícia: alternativas já existentes de adaptação podem reduzir os riscos climáticos, se obtiverem recursos suficientes e forem implementadas rapidamente. É necessário um enorme investimento: o IPCC estima que a adaptação necessária, apenas nos países em desenvolvimento, vai chegar a US$ 127 bilhões até 2030 e a US$ 295 bilhões até 2050.
Apenas o investimento nas adaptações não será suficiente, se o mundo não agir para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. E isso passa pela mudança no padrão energético e redução do desmatamento. A adoção de fontes de energia renováveis é o caminho, além das mudanças nos padrões de consumo de toda a humanidade.
Importante: A janela de oportunidades para a ação climática está fechando rápido.
Os próximos anos ainda oferecem uma janela estreita para um futuro sustentável e habitável para todos. Mas essa mudança exige esforços imediatos, ambiciosos e coordenados para reduzir emissões e preservar os ecossistemas.

O QUE PODEMOS FAZER

  • Diante de dados tão negativos e a necessidade de mudanças tão drásticas e imediatas, pode surgir um sentimento de impotência e paralisação. A sensação de que não temos muito a fazer. Mas é exatamente o contrário: cada cidadão do mundo precisa fazer parte dessa mudança, dentro da sua possibilidade de atuação.
  • Cabe às empresas investir em Governança ambiental e social e dar a sua contribuição para mitigação desses impactos. Saiba mais sobre ESG – Enviromental, Social and Corporate Governance (Governança Ambiental, Social e Corporativa).
  • Cabe aos consumidores, optarem por empresas que tenham uma gestão sustentável e evitar comprar produtos de empresas que degradam o meio ambiente.
  • Cabe aos cidadãos e consumidores mudar seus padrões de consumo, reduzindo sua pegada ecológica. E isso se dá com a redução do consumo de produtos em geral, em especial àqueles com maior impacto na emissão de gases.
  • As indústrias mais poluentes são: indústria têxtil, alimentícia e petroquímica. Retirar ou reduzir da alimentação produtos de origem animal é uma dessas mudanças necessárias e urgentes.
  • Divulgar essa matéria, esse relatório, para que mais pessoas tenham consciência das ameaças que nossa humanidade está vivendo.
  • Votar com extrema consciência nas eleições de 2022. Conhecer a proposta dos candidatos, especialmente dos candidatos à presidência da República. É fundamental que o futuro presidente do Brasil, assim como nossos representantes no Congresso Nacional, Governadores e Deputados Estaduais tenham consciência da gravidade dessa situação e tenham propostas concretas para contribuir para a mudança de que nosso planeta precisa. Os próximos quatro anos serão cruciais. E se nossas lideranças políticas não estiverem comprometidas com essas mudanças, nosso futuro será desastroso.

Isabela Castello

Isabela Castello, administradora e designer, é apaixonada pelo universo criativo e pela natureza. Escreve sobre criatividade e a economia criativa com ênfase nos conteúdos sobre arte e design autoral.

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