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Relatório final

Após seis meses de trabalho, CPI da Covid cumpriu seu papel

CPI presta um grande serviço ao país ao desnudar e apresentar provas dos desacertos do governo federal e apontar os responsáveis pelo agravamento da contaminação que vitimou mais de 600 mil brasileiros nos últimos dezoito meses

Publicado em 22 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

22 out 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

CPI da Covid, no Senado, está em sua 4ª semana de oitivas
CPI da Covid conseguiu comprovar muitas coisas sobre as quais só haviam suspeitas Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado
Na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, Jair Bolsonaro disse, ao se referir às ações do seu governo “na busca do tratamento precoce” na pandemia da Covid-19, que “a história e a ciência saberão responsabilizar a todos”. Se assim é, a CPI da Covid presta um grande serviço ao país ao desnudar e apresentar provas dos desacertos do governo federal e apontar os responsáveis pelo agravamento da contaminação que vitimou mais de 600 mil brasileiros nos últimos dezoito meses.
A CPI, durante os seis meses de atuação, conseguiu comprovar muitas coisas sobre as quais só haviam suspeitas, como por exemplo o incentivo do governo à descabida “imunidade de rebanho” ao estimular que todos desrespeitassem o isolamento social e saíssem às ruas para se contaminar. A CPI aponta, também, a negligência com que o governo tratou o início da vacinação, fechando as portas à Pfizer e sabotando a Coronavac, ao mesmo tempo em que acolhia propostas feitas por comprovados picaretas.
vacinação, ficou claro para a CPI, foi sabotada por uma rede de desinformação, e só deslanchou por pressão da imprensa, dos governadores e da maioria da população que não se deixou influenciar pelas fake news espalhadas nas redes sociais pelo gabinete de ódio governista.
A conspiração contra a saúde dos brasileiros, informa a CPI, foi potencializada pelo gabinete paralelo, formado por empresários e profissionais negacionistas, que junto com o governo disseminou a propaganda do tratamento precoce com medicamentos ineficazes – e, pior do que isso, contraindicados aos casos de Covid-19 – fartamente distribuídos pelo próprio governo.
Tratamento precoce esse que, como revela a CPI, inspirou até mesmo experimentações sem qualquer fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar, que chegaram ao cúmulo de fraudar prontuários de doentes e até atestados de óbito.
As responsabilidades do governo vão além, denuncia a CPI. Vão do desprezo às normas sanitárias até a sabotagem às medidas de prevenção – como o isolamento social e o uso de máscaras – e a tentativa de manipular a quantidade de mortes por Covid-19.
Para comprovar essas irregularidades, a CPI trabalhou duro e contou com a colaboração até mesmo do presidente da República, que promoveu a cloroquina em lives e defendeu explicitamente o tratamento precoce na Assembleia da ONU. Bolsonaro, em Nova York, desfilou sem máscara e revelou, sem corar, no encontro que teve com o premier britânico Boris Johnson, não ter se vacinado. Maior confissão que essa, com relação às suas responsabilidades na condução do governo na pandemia, é impossível.
A CPI da Covid, ao finalizar os seus trabalhos – por mais incrível que isso possa parecer –, vem confirmar um vaticínio feito próprio pelo presidente do Brasil, logo ele que é o acusado de ser o principal responsável pelas mortes dos brasileiros: “A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”.

José Carlos Corrêa

É jornalista. Atualidades de economia e política, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham análises neste espaço

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