Sair
Assine
Entrar

Coronavírus

Mudança de postura de Bolsonaro: quando será a recaída?

Na última terça-feira (23), presidente ensaiou mudança de comportamento em relação à Covid-19. Fica a esperança de que não tenha recaídas que o façam repetir que a doença não passa de uma “gripezinha”

Publicado em 26 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

26 mar 2021 às 02:00
José Carlos Corrêa

Colunista

José Carlos Corrêa

jccsvt@terra.com.br

O presidente Jair Bolsonaro após reunião com governadores e chefes dos poderes
Ao contrário do que acontecia em outras ocasiões semelhantes, Bolsonaro usou máscara nas últimas reunióes Crédito: Marcos Corrêa/PR
Na sexta-feira da semana passada, dia 19, o presidente da República deu entrada no STF com  ação contra a restrição de circulação decretada pelos governadores do Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul. No domingo (21), chamou os governadores e prefeitos que estão adotando medidas de restrição social de “tiranetes ou tiranos”. Até aí nenhuma surpresa, já que Bolsonaro foi o mesmo de sempre, repetindo o surrado discurso contrário ao combate à Covid-19, ao isolamento social e ao uso de máscaras e desacreditando da eficácia das vacinas.
Eis que na segunda-feira (22), o presidente convoca uma reunião, realizada dois dias depois, com os demais poderes para discutir o combate à pandemia. Na terça-feira (23), deu posse ao novo ministro da Saúde, cujo nome, anunciado há uma semana, ainda não havia assumido a pasta. Na quarta-feira (24), anunciou a formação de um comitê anti-Covid. Ao contrário do que acontecia em ocasiões semelhantes, usou máscara e apoiou a vacinação em massa.
O que teria acontecido nos últimos dias para que Bolsonaro ensaiasse uma mudança tão significativa de comportamento em relação à Covid-19?
Na terça-feira (16), o Datafolha divulgou pesquisa em que a rejeição a Bolsonaro na gestão da pandemia chega a 54%; e que 43% dos entrevistados consideram que o presidente é o maior responsável pela crise sanitária no país. A média diária de mortes dos últimos sete dias, no Brasil, decorrentes da Covid-19, bateu recorde passando de 1.965, no dia 16, para 2.364 no dia 23.
Na terça-feira (23), morreram de Covid-19 3.251 pessoas. No domingo (21), mais de mil empresários e economistas divulgaram manifesto exigindo racionalidade no trato da pandemia. No início do mês, a OMS já havia emitido alerta afirmando que “o Brasil tem que levar (a Covid-19) a sério, seja o governo ou o povo”.
Diante do desmoronamento do sistema de saúde – a lotação de UTIs no SUS chega a 96% e faltam medicamentos básicos para entubação de pacientes –, a Fiocruz anunciou que o Brasil passa pelo “maior colapso sanitário e hospitalar da história”. Os presidentes da Câmara e do Senado e até parlamentares da base aliada passaram a criticar o negacionismo do Planalto.
Foram essas as razões que motivaram o ensaio de mudança de comportamento do presidente com relação à Covid-19. Mas, convenhamos, ainda não há motivos para comemorações: Bolsonaro, na reunião do dia 24, voltou a falar no “tratamento precoce”, o novo ministro anunciou “continuidade” – já que “a política é do presidente, não do ministro” – e, no mesmo dia em que o Brasil bateu recorde de mortes, o Ministério da Saúde tentava alterar o critério de registro de óbitos repetindo manobra feita em julho para maquiar os números.
Fica, de qualquer forma, a esperança de que o presidente não tenha recaídas que o façam repetir que a Covid-19 não passa de uma “gripezinha”, que “está no finzinho”, que quem respeita o isolamento social é “maricas” e que temos de parar com “a frescura” e o “mimimi” de chorar pelos nossos 300 mil mortos.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

José Carlos Corrêa

E jornalista. Atualidades de economia e politica, bem como pautas comportamentais e sociais, ganham analises neste espaco.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante operação em estrada
Acidente entre motos interdita totalmente trecho da BR 262 no ES
Imagem de destaque
Helicóptero de Henrique e Juliano cai no Tocantins
Imagem de destaque
Quatro décadas de futuro: como o Espírito Santo aprendeu a planejar além dos governos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados