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Cultura e memória

Uma viagem ao passado na Feira de Antiguidades

Evento na Rua da Lama resgata histórias, memórias e revistas históricas, proporcionando uma viagem ao passado de Vila Velha e das décadas passadas
José Carlos Corrêa

Publicado em 

10 out 2025 às 02:00

Publicado em 10 de Outubro de 2025 às 05:00

Foi na Feira de Antiguidades da Rua da Lama que reencontrei Sônia, amiga dos meus tempos de Rede Gazeta, e com ela velhas revistas à disposição daqueles que, como eu, se deliciam em viajar pelo passado. Antes de chegar às revistas, abro um parêntese para falar dessa feira que acontece no primeiro sábado de cada mês (das 9 às 16h) em plena Rua da Lama, em Jardim da Penha. A Rua da Lama é aquele trecho da Rua Anísio Fernandes Coelho, reconhecido como um dos points mais tradicionais da boemia da capital do Espírito Santo e que foi, com merecimento, repaginado há dois anos pela prefeitura.
A Feira de Antiguidades se instalou na Rua da Lama em dezembro de 2023 e, de lá para cá, vem ganhando cada vez mais novas atrações graças ao empenho de Edu Henning e a sua equipe da Secretaria de Cultura. Para Edu, a feira é mais do que um mercado de antiguidades, “é um espaço onde as histórias ganham vida, onde o passado e o presente se encontram para trocar memórias e sentimentos”. Foi nesse embalo que reencontrei outros grandes amigos como Genildo Ronchi, também dos velhos tempos de Gazeta, que exibe na feira a sua arte como cartunista, chargista e ilustrador.
Anisio Fernandes Coelho
Rua Anisio Fernandes Coelho, a Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória Crédito: Carlos Alberto Silva
Voltando às revistas de Sônia, pude fazer, como recomenda Edu, um encontro com o passado dos idos de novembro de 1968 através do exemplar nº 11 da, na época recém lançada, “Veja”, da Editora Abril. Vivíamos as repercussões da realização do 30º Congresso da UNE, a União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna, São Paulo, e que terminou com a prisão de centenas de participantes – entre eles, vários capixabas – já que era considerado clandestino (leia-se “fora da lei”) pelo governo militar.
Na “Carta do Editor”, o jornalista Victor Civita se refere à reportagem publicada na edição anterior (“A incrível batalha dos estudantes”) que despertou críticas de dois leitores, um deles acusando a revista de ter tomado “posição direitista” ao se transformar “em porta-voz do CCC” (o Comando de Caça aos Comunistas) e outro que afirmava que a revista havia tentado “visivelmente justificar os baderneiros contra um movimento cívico criado para acabar de vez com a balbúrdia dos comunistas, o CCC”. É possível ver, na manifestação de Civita, como é difícil a missão do jornalismo em uma época de polarização política extremada.
Mas, no passado retratado na revista, não está presente somente a radicalização política (como faz crer a reportagem de capa “Procura-se Marighela”), mas também a propaganda que anuncia “um dos mais geniais desenhos industriais do mundo” como é descrita a máquina de escrever
elétrica Olivetti, e “o menor televisor portátil que se pode produzir no Brasil”, o Mini Colorado RQ que “tem o mesmo circuito de seu irmão maior, o famoso Colorado RQ de 23 polegadas”. Estão ainda anunciados a coleção de 6 volumes de “A história do povo brasileiro”, escrita, analisada e comentada por Jânio Quadros e Afonso Arinos, e os eletrofones Philips que levam às pessoas “a fidelidade de som que o exclusivo cabeçote de cerâmica proporciona”.
Nas páginas dedicadas ao cinema estão registradas as estreias de “Ao mestre, com carinho”, “O Planeta dos Macacos”, “Barbarella” e “A primeira noite de um homem”. Merece destaque, entre as “Diversões”, a primeira das quatro eliminatórias do “IV Festival de Música Popular Brasileira”, no Teatro Record, em São Paulo, que distribuiria NCr$ 100 mil (cruzeiros novos) em prêmios.
Uma análise sobre a sucessão de Costa e Silva, o presidente da época (1967-1969), chega a concluir que “nessa corrida artificial da sucessão os políticos estão praticamente fora do páreo”. A revista antecipou que o sucessor seria outro militar, mas o que ela não poderia prever é que Costa e Silva, antes de sofrer um derrame e deixar o poder, baixaria o Ato Institucional nº 5 iniciando a fase mais cruel do regime militar com a institucionalização da repressão política escancarada.
A velha revista nos traz também a nostalgia dos automóveis da época (Opala, Corcel GT e o renovado Fusca (que “jamais ferveu, graças a seu motor refrigerado a ar”), dos 900 gols de Pelé (“sem contar os 32 que ele fez na seleção militar e contra times fora da FIFA”) e da corrida espacial (“Apollo-8: Lovel, Borman e Anders, dez voltas na Lua neste Natal, fotografam o local onde a Apollo-10 vai aterrissar”).
E a minha doce viagem ao passado se encerrou com a contracapa da revista que exibia – o que hoje é terminantemente proibido – um anúncio do “Minister, um cigarro de agrado internacional”. É sinal de que, mesmo que não pareça, muita coisa melhorou nesse mundo de Deus, apesar de todos os males e perigos que nos cercam.
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