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Saúde

Covid longa: o que estudos mais recentes mostram

A doença de alguma forma interfere na imunidade, tornando mais frequente o aparecimento de outras infecções bacterianas no ano seguinte

Publicado em 09 de Fevereiro de 2023 às 00:01

Públicado em 

09 fev 2023 às 00:01
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

lauropintoneto@gmail.com

O British Medical Journal é importante revista científica médica ligada à Associação Médica Britânica. Nela foram publicadas muitas pesquisas importantes durante a pandemia. Agora, no início de 2023, cientistas israelenses publicaram uma interessante análise da Covid longa ou pós-Covid em uma população acompanhada de quase 2 milhões de israelenses, entre março de 2020 e outubro de 2021.
Justiça seja feita, os israelenses têm sido muito eficazes em vacinar e estudar a Covid-19, compartilhando seus conhecimentos com cientistas de todo o mundo. Eles demonstram nesse trabalho que mesmos os casos mais leves, sem hospitalização, podem causar os sintomas de Covid longa.
As alterações de olfato e paladar, muito comuns e incômodas no início da pandemia, em seus primeiros anos, têm sido menos frequentes agora. A queda de cabelos, que incomoda em especial às mulheres, tende a se estabilizar e reverter após 6 meses, principalmente. Também as queixas respiratórias, como tosse, falta de ar com exercícios, dor torácica, também são mais comuns até seis meses após instalação da Covid-19, tendendo a desaparecer depois. Dor de cabeça e queixas cognitivas, como dificuldade de concentração, perda de memória, dificuldade de retomar atividades intelectuais também tendem a regredir no segundo semestre pós-Covid.
Os israelenses também notaram que esses sintomas de Covid longa são mais raros em crianças, e mais frequentes com o avançar da idade, no extrato de 40-60 anos e acima dos 60. Também registraram, na publicação, não ter notado diferença significativa entre os sexos, divergindo de outros relatos que notaram mais Covid longa entre as mulheres, em especial acima dos 60 anos de idade.
Detectaram também que a Covid-19 de alguma forma interfere na imunidade, tornando mais frequente o aparecimento de outras infecções bacterianas no ano seguinte à Covid, em especial sinusites e amigdalites estreptocócicas (infecção de garganta de origem bacteriana).
Uma das conclusões importantes desse trabalho é que é muito maior o risco de sintomas de Covid longa em pessoas não vacinadas e naquelas que estão com vacinação em atraso ou perderam a época dos reforços vacinais

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doencas Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaco quer refletir sobre saude e qualidade de vida na pandemia.

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