Várias pessoas têm me relatado sintomas gripais nesses dias. Em pleno verão, com um calor absurdo, um surto de gripe fora de época tem acontecido. Isso não é privilégio nosso. No Hemisfério Norte, a gripe chegou antes do inverno e tem piorado. Cientistas dos Estados Unidos têm relatado a pior temporada de gripe nos últimos 30 anos
O curioso é que o pico da gripe no Hemisfério Norte ocorre frequentemente em fevereiro e esses números elevados de casos estavam ocorrendo em dezembro e início de janeiro. Dezessete crianças morreram de gripe na rica nação da América do Norte, no início da estação. Até a redação desta coluna 32 crianças tinham morrido de gripe nos EUA nesta temporada.
Vale lembrar que o ano de 2025 teve um recorde de mortes de crianças por gripe nos EUA: foram 280 mortes, e mesmo as muitas que sobreviveram enfrentam sequelas por encefalite causada pelo vírus da gripe. Uma variante conhecida como subclado K do vírus H3N2 é a responsável pelo surto neste ano aqui e no Hemisfério Norte.
Neste início de inverno lá, o CDC (Centro de Controle de Doenças) estima 15 milhões de casos, 180 mil hospitalizações e 7400 mortes nos Estados Unidos. A vacina pode prevenir hospitalização e morte, mas lamentavelmente aqui, como nos EUA e Europa, a vacina de gripe tem sido negligenciada nos últimos anos. As coberturas vacinais têm sido pífias, em especial nos grupos mais vulneráveis como crianças, gestantes e idosos.
Nos EUA há um novo agravante. O todo-poderoso Robert Kennedy Jr., advogado (?) responsável pelo DHHS (Departamento de Saúde), acaba de decidir que a vacina de gripe não terá mais recomendação formal para crianças, mas depende de decisão compartilhada pelo médico e família.
A Associação Americana de Pediatras achou tal ideia maluca e irresponsável, e permanece recomendando a vacinação a todas as crianças. A história da humanidade é curiosa. Estranhos tempos estamos vivendo: os avanços da ciência têm tanto valor quanto fuxicos e boatos de redes sociais.