Conforme iniciamos há duas semanas, vamos continuar aqui a comentar pesquisas importantes do ano passado. A importante revista da Associação Médica Americana pediu aos seus principais editores que listassem quais as mais importantes pesquisas publicadas no Jama de outubro de 2024 a setembro de 2025.
Estima-se que ¼ da população brasileira tenha hipertensão arterial, a chamada “pressão alta”. Inúmeras pessoas usam diversos antihipertensivos, muitas vezes em associação, e mesmo assim muitos têm dificuldade em controlar a doença. Em junho foi publicada uma pesquisa com mais de mil adultos em 159 clínicas em 13 países.
Os participantes eram pessoas com pressão não controlada, usando 2 a 5 medicamentos. Os autores testavam um medicamento novo, o Lorundrostat, um inibidor da síntese de aldosterona. Embora já existam bloqueadores de aldosterona, atuando no receptor do hormônio, a nova droga inibe a enzima produtora, oferecendo aos cardiologistas um novo mecanismo de ação.
Os pesquisadores estimam que até 1/3 dos pacientes não logrem controle adequado com os tratamentos hoje disponíveis. O novo medicamento se mostrou eficaz e com poucos efeitos colaterais.
Em dezembro de 2024 (dentro portanto do escopo de balanço dos editores do Jama) foi publicado o estudo Comet que representou o monitoramento ativo para o câncer de mama de baixo risco (ductal in situ). O carcinoma ductal in situ é considerado uma lesão pré-invasiva que não tem o potencial de se espalhar e causar sintomas a menos que progrida para câncer invasivo.
No entanto, quando diagnosticado, o carcinoma ductal in situ é tratado com cirurgia convencional, frequentemente combinada com radioterapia e/ou terapia endócrina. O estudo Comet foi realizado de junho de 2017 a janeiro de 2023, acompanhando cerca de mil mulheres com mais de 40 anos.
As pacientes eram acompanhadas com mamografia a cada seis meses no seio afetado com o tumor in situ. Qualquer alteração levava a uma biópsia por agulha. Após dois anos de acompanhamento, o risco de câncer invasivo no grupo monitorado foi de 4,2% comparado com 5,9% no grupo que tinha optado pela cirurgia precoce. Os autores concluem que monitoramento (vigilância) cuidadoso é uma opção para esses tumores in situ.
No final de 2024, foi ainda publicado o estudo TRAIN com foco no paciente crítico. O estudo tinha a finalidade de entender qual o momento ideal de transfusão de sangue no paciente com lesão cerebral aguda. As indicações de transfusão de sangue quando existe anemia em uma pessoa doente sem sangramento ativo sempre foram controversas pelos riscos de complicações.
Neste estudo, acompanhando 820 pacientes, os autores obtiveram desfechos mais favoráveis com uma estratégia mais liberal de transfusão, quando a hemoglobina caía a 9 g/dL, trazendo contribuições importantes aos profissionais que trabalham em terapia intensiva ou emergência.
Por fim, uma nova vacina para hepatite B, a HEPLISAV-B, se mostrou mais eficaz em imunodeprimidos como pessoas infectadas pelo vírus HIV. Os imunodeprimidos têm uma capacidade menor de responder às vacinas e muitas vezes correm risco de doenças mais graves que as pessoas com imunidade normal.