A seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES) apresentou à Assembleia Legislativa a proposta de criação da “Comenda do Mérito Jurídico Sérgio Bermudes”, que será a mais alta honraria jurídica do Espírito Santo. A iniciativa é para homenagear a memória e o legado de Bermudes, que morreu nesta segunda-feira (27), aos 79 anos, no Rio de Janeiro.
A proposta foi encaminhada ao presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União Brasil), e assinada pela presidente da OAB-ES, Erica Neves, que esteve na última terça-feira no Rio de Janeiro para acompanhar a missa de corpo presente de um dos filhos mais ilustres de Cachoeiro de Itapemirim e um dos mais importantes juristas do país.
Em reconhecimento à sua trajetória, a Ordem também decretou luto oficial nos dias 27, 28 e 29 de outubro pela morte do advogado. “O Brasil e o Espírito Santo, em especial, perdem uma das suas mentes mais brilhantes. A OAB Espírito Santo lamenta profundamente a morte do jurista cachoeirense Sérgio Bermudes e decreta luto de três dias na advocacia. Bermudes era um advogado genial e combatente. Um dos melhores processualistas do país e que certamente deixa um legado de trabalho, inspiração e orgulho para todos nós”, afirmou Erica Neves.
CAPIXABA DE CACHOEIRO
Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, Bermudes construiu uma carreira brilhante, pautada pela ética, coragem cívica e compromisso com a justiça. Formado em Direito pela Universidade do Estado da Guanabara (atual Uerj) e doutor pela USP, foi um dos maiores nomes da advocacia contenciosa do país.
Sua atuação ficou marcada por momentos emblemáticos da história. Entre os casos mais marcantes de sua trajetória está a defesa de Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975. A ação levou ao reconhecimento, pela Justiça, de que o jornalista morreu sob custódia do Estado.
Mesmo com projeção nacional, Bermudes manteve laços profundos com o Espírito Santo. Em 2020, quando uma enchente atingiu sua cidade natal, ele doou R$ 1 milhão para ajudar as famílias de Cachoeiro de Itapemirim, gesto que simbolizou seu amor e comprometimento com o Estado.
Após seu falecimento, o governador Renato Casagrande (PSB) também decretou luto oficial de três dias, destacando-o como “referência nacional no Direito e orgulho para o Espírito Santo”.