A concessionária que administra a BR 101 no Espírito Santo divulgou nesta semana um número positivo: foi registrada uma queda de quase 12% dos acidentes nos cinco primeiros meses do ano na mais importante rodovia federal que corta o Estado.
Mas logo adiante a Ecovias Capixaba revela um dado perturbador: quase metade (44%) das 52 mortes decorrentes de acidentes na rodovia, no período, é de motociclistas. Em seguida aparecem ocupantes de carros e caminhões, com 36%, e pedestres, com 20%.
Não se trata de uma tragédia restrita à BR 101. Nas ruas e avenidas do Espírito Santo, os números indicam que andar sobre duas rodas no Estado é uma atividade de risco e que, no limite, pode representar a interrupção de vidas - principalmente a dos mais jovens.
A CARNIFICINA
Aos números: o Espírito Santo já registrou, entre 1º de janeiro e 18 de junho deste ano, 2.206 sinistros envolvendo motocicletas e motonetas. Desse total, 622 ocorrências tiveram vítimas, sendo 223 fatais, segundo dados do Observatório do Trânsito.
Para o especialista em segurança pública e direito de trânsito, o advogado Fábio Marçal, os números são alarmantes. “Em uma conta simples, isso representa uma média de quase 13 ocorrências por dia ao longo do período. É um volume extremamente preocupante”, alertou.
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Marçal destaca ainda que parte significativa desses casos pode estar relacionada ao exercício profissional de muitos motociclistas. “Há pessoas que dependem da motocicleta para garantir sua renda. Quando ocorre um sinistro, elas podem ficar temporariamente impossibilitadas de trabalhar, comprometendo diretamente o sustento da família”, observou.
O especialista chama atenção também para consequências menos visíveis, mas igualmente graves. “Muitas vítimas podem desenvolver sequelas permanentes, gerando limitações para o exercício de suas atividades. Em alguns casos, pode haver pedido de aposentadoria por invalidez; em outros, a pessoa acaba em um limbo previdenciário, sem conseguir trabalhar plenamente e sem obter o benefício”, concluiu.