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Leonel Ximenes

Acredite! É tanta mentira que o ES tem o seu Ponto dos Mentirosos

Espaço dos contadores de causos no litoral capixaba faz tanto sucesso que inspirou a criação de um local semelhante no Sul da Bahia

Publicado em 05 de Abril de 2022 às 14:49

Públicado em 

05 abr 2022 às 14:49
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

O Ponto dos Mentirosos em Santa Cruz, Aracruz, que é cuidado pela comunidade
O Ponto dos Mentirosos em Santa Cruz, Aracruz, que é cuidado pela comunidade Crédito: Divulgação
A mentira certamente surgiu com os primeiros seres humanos na Terra. É uma prática tão antiga que mereceu até um cantinho especial para quem a pratica diariamente no distrito de Santa Cruz, em Aracruz, onde os pescadores mantêm a tradição milenar no Ponto dos Mentirosos, uma pequena praça multicolorida no balneário.
Morador do distrito, o professor, mergulhador e pescador nas horas vagas Jorge Augusto Curto de Oliveira, de 57 anos, conta que o ponto, localizado à beira do Rio Piraqueaçu, foi criado há cerca de 45 anos por pescadores que ficavam “proseando”, embaixo de uma castanheira, à espera dos colegas que saíam para pescar.
No final da tarde, os que vieram do mar e os que ficavam na terra começavam a contar vantagem, incluindo quem capturou o maior, mais pesado e mais belo pescado, numa verdadeira competição de mentirosos.
“Os que não iam pescar ficavam no ponto contando anedotas, de quem fisgou o peixe maior, ou contando histórias que tinham acontecido em pescarias antigas”, explica Jorginho, como é mais conhecido.
O Ponto dos Mentirosos no litoral capixaba fez tanto sucesso que a ideia foi copiada em Caraíva, levada por pescadores capixabas de Santa Cruz que têm parentes na cidade do Sul da Bahia. Os sites especializados em turismo citam o ponto baiano como atração que merece ser visitada pelos turistas.
No passado, o ponto também era frequentado pelos funcionários da balsa que operava na região de Santa Cruz Enquanto esperavam a partida da embarcação, os tripulantes e passageiros, certamente influenciados pela tradição local, também ficavam contando mentiras e mais mentiras.
O Ponto dos Mentirosos logo que foi criado, mais simples e acanhado
O Ponto dos Mentirosos logo que foi criado Crédito: Divulgação
Por sinal, Onofre Miguel de Oliveira e Genésio Salvadeo, os donos das balsas, são lembrados como precursores do ponto, por contarem muitas histórias de pescadores para quem se dispusesse a ouvi-las e, claro, acreditar nelas. Ou fingir que acreditavam.
Atualmente, o Ponto dos Mentirosos deixou de ser apenas uma pequena praça de encontro de pescadores mentirosos e passou a ser também um local de convivência dos próprios moradores do balneário, que cuidam do local com muito carinho. E isso é verdade, tá?

Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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