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Leonel Ximenes

Candidata trans a prefeita acusa pastores de discriminação em Cariacica

Bia anunciou que fará representação na Justiça Eleitoral por, supostamente, não ter sido convidada para debate promovido pelo Fórum Evangélico com 13 candidatos

Publicado em 16 de Outubro de 2020 às 12:33

Públicado em 

16 out 2020 às 12:33
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Bianca Biancardi concorre pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB)
Bianca Biancardi concorre pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) Crédito: Reprodução da internet
Bianca Biancardi (PMB), candidata transexual a prefeita de Cariacica, anunciou que fará hoje (16) uma representação no Ministério Público Eleitoral contra o Fórum Evangélico do Espírito Santo. A candidata reclama que sofreu discriminação por não ter sido convidada para o “Fórum Presencial Com os Candidatos a Prefeito de Cariacica”, realizado na manhã de ontem (15), no bairro Rio Branco.
Dos 14 candidatos a prefeito,  outro que não compareceu, embora tenha sido convidado, foi  Joel da Costa (PSL). Segundo a coluna apurou com um dos presentes ao ato, o nome de Bianca não foi mencionado durante o fórum. 
“O Fórum Evangélico tem claro conhecimento de minha candidatura a prefeita, divulgada pela imprensa e por nossas atividades de rua e propaganda em redes sociais. Não pairam dúvidas de que fui vítima do crime de discriminação por essa lideranças evangélicas pelo fato de ser uma mulher transgênero na disputa”, reclama Bianca.
A assessoria da candidata informou que, além da representação no Ministério Público Eleitoral, ela também vai denunciar a suposta discriminação de que foi vítima à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.
“A minha indignação com essas atitudes discriminatórias foi compartilhada por dezenas de amigos e eleitores, que também se sentiram atingidos por essa atitude atrasada e sem cabimento em uma sociedade plural e democrática”, afirma Bianca.
A empresária, dona de um salão de beleza em Campo Grande, aponta que, no entender dela, não houve apenas discriminação dos pastores: “Diante dos fatos, solicito ao Ministério Público Eleitoral que instaure o procedimento adequado para apurar crimes de discriminação racial e gênero, crime eleitoral, entre outros crimes que possam ter ocorridos durante o evento organizado pelo Fórum Evangélico”.

ORGANIZAÇÃO FOI PROCURADA

A coluna procurou na noite de quinta (15) um dos organizadores do evento. Após sustentar que não houve discriminação e que, na realidade, a candidata do PMB não respondeu ao convite do fórum, enviado pelo WhatsApp no dia 2 de outubro, ele disse que não estava autorizado a falar em nome dos pastores, pediu para seu nome não ser divulgado e afirmou que iria indicar um dos líderes religiosos para falar com a coluna, o que não aconteceu até o fechamento desta matéria. Este espaço, entretanto, continua aberto ao Fórum Evangélico e será atualizado assim que um dos seus responsáveis se manifeste.

O QUE DIZ A JUSTIÇA ELEITORAL

Procurada pela coluna, a assessoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) divulgou uma nota em que afirma não fazer distinção de gênero ou raça na escolha de candidatos aos cargos eletivos e que existem instâncias para quem queira reclamar seus direitos eleitorais.
Eis a nota: “A Justiça Eleitoral não faz qualquer distinção de gênero ou raça na escolha de candidatos aos cargos eletivos. Inclusive, tem garantido a paridade de condições para a disputa, a exemplo da possibilidade de uso do nome social desejado pelo candidato na urna eletrônica e cadastro eleitoral (Resolução TSE nº 23.609/2019). Casos concretos devem ser formalizados através da via adequada, para que eventualmente sejam apreciados no âmbito jurisdicional. Destaque-se que o Ministério Público Eleitoral tem atuação importante para manutenção de direitos e garantias fundamentais, podendo eventuais prejudicados formalizar seu descontentamento”.

Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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