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Coluna Leonel Ximenes

E se a moda pega? Posto na Serra começa a cobrar para calibrar pneus

Gratuidade do serviço, entretanto, continua para quem esteja abastecendo no estabelecimento

Publicado em 28 de Julho de 2026 às 15:49

Públicado em 

28 jul 2026 às 15:49
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Calibrador no Posto Stillo, na Serra, com aviso sobre cobrança de calibragem de pneus para não clientes
Calibrador no Posto Stillo, na Serra, com aviso sobre cobrança de calibragem de pneus para não clientes Foto do Leitor

O Posto Stillo, em Cidade Continental, na Serra, passou a cobrar dos não clientes pelo uso do calibrador de pneus. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Espírito Santo (Sindipostos-ES), no Estado existem poucos estabelecimentos na Grande Vitória e em municípios do interior que já adotaram esta medida. 


A direção do posto argumenta que a cobrança foi adotada em função do custo de manutenção do equipamento e de alguns abusos cometidos por não clientes. “O nosso compressor deu defeito há alguns dias e gastamos R$ 3,5 mil para consertá-lo. Um compressor novo custa mais de R$ 8 mil”, relata Dannunzio Chiappetta, sócio do Posto Stillo.


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O empresário conta que o calibrador precisa passar por vistorias permanentes, que são pagas, e diversos pequenos reparos como na ponteira de abastecimento. Isso, segundo ele, se soma ao mau uso do equipamento, como o de um ambulante que vende bolas nas ruas e encheu mais de 50 unidades de uma só vez e do motorista que parou para calibrar o pneu do seu trator, para o qual aquele calibrador não é adequado. 


“Em todos esses casos, apesar da nossa abordagem e da explicação, somos ignorados. Sem falar em clientes que declaradamente abastecem na concorrência porque é mais barato, mas não tem calibrador, e vem aqui usar o nosso. Por isso tomamos essa decisão. O cliente continua tendo acesso ao compressor gratuitamente, mas quem não é cliente agora vai pagar por este serviço que estamos oferecendo”, explica.

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O pagamento é feito por Pix, através de um QR Code. O valor é R$ 1 e o usuário tem até três minutos para calibrar. Este tempo, argumenta Chiappetta, é um padrão adotado em outros Estados e ele afirma que a prática mostra que é suficiente para a calibragem dos quatro pneus. 

O QUE DIZ O SINDIPOSTOS


Segundo o Sindicato dos Postos, a cobrança pela calibragem de pneus no posto de combustível da Serra representa bem a realidade do revendedor. “A área do posto é confundida com espaço público e alguns serviços como se fossem obrigação social do empresário. Porém, é importante reforçar que o posto é uma empresa como outra de qualquer segmento. A diferença é sua importância para a sociedade e o fato de não ter paredes e portas, podendo ser acessado por qualquer pessoa”, sustenta o Sindipostos. 


O caso do calibrador, pondera o sindicato patronal, é emblemático porque, para a entidade, a sociedade já considera uma obrigação do posto. “Não é. O calibrador, inclusive, é um equipamento do posto de combustível e um serviço prestado que representa custo na operação, desde o consumo de energia elétrica até a manutenção e taxas de vistoria dos órgãos fiscalizadores. Mas a decisão de cobrar é individual de cada revendedor, conforme sua estratégia comercial, pondera o sindicato.


A cobrança pela calibragem de pneus de não clientes já é prática em postos de combustíveis em outras cidades como Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ).


Na capital fluminense, por sinal, existe até uma lei municipal, de setembro de 2024, proibindo a cobrança de clientes que estão abastecendo no posto, como também não pode haver cobrança de bicicletas, triciclos e outros veículos que não necessitem abastecimento de combustível. O objetivo é garantir que a calibragem de pneus não resulte em custos adicionais para os motoristas que abastecem seus veículos nos postos. 

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Leonel Ximenes

Leonel Ximenes Leonel Ximenes

Iniciou sua história em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De lá para cá, acumula passagens pelas editorias de Polícia, Política, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Também atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 é colunista. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo.

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