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Leonel Ximenes

Fé, chuva e mais de 1.000 km: ciclistas do ES pagam promessa em Aparecida

Grupo de romeiros levou seis dias para chegar à Basílica Nacional; no caminho, muita emoção, mas também imprevistos

Publicado em 21 de Janeiro de 2022 às 14:39

Públicado em 

21 jan 2022 às 14:39
Leonel Ximenes

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Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Os 11 romeiros em frente à Basílica de Aparecida, em SP
Os 11 romeiros em frente à Basílica de Aparecida, em SP Crédito: Marcelo Araújo Lopes
Começou com apenas três; no ano seguinte, havia um a mais; agora, foram 11. O 3º Pedal da Fé, realizado entre 9 e 14 de janeiro, foi marcado por muita emoção e demonstração explícita de fé. O grupo, composto por nove capixabas do Norte do Estado, um espanhol naturalizado brasileiro e um fluminense, percorreu exatos 1.063 quilômetros (47h20min de pedaladas), sob chuva e calor, de Guriri, em São Mateus, até a Basílica Nacional de Aparecida, no interior de São Paulo.
Foi a terceira edição do evento, que começou em 2020. “O nosso propósito é agradecer a Deus e à Nossa Senhora pelas graças alcançadas e pedir proteção”, diz Rian Carlos Ferreira dos Anjos, de 28 anos. Analista de qualidade, o morador de Sooretama, que participou pela primeira vez da romaria ciclística, tinha razões muito especiais para o ato de fé que exige muita preparação, determinação e condicionamento físico.
"Fui especialmente agradecer pela minha recuperação. Fiz três cirurgias no joelho, que tinha problemas nos ligamentos, meniscos e artéria”, conta. A experiência foi tão marcante para o católico Rian, que ele já está contando os dias para o 4º Pedal, que será realizado no início de 2023.
Do grupo de 11 ciclistas, havia três mulheres. O mais novo tem 28 anos e o mais velho, 64 (aliás, dois têm essa idade). No percurso, eles pararam no Rio de Janeiro e foram visitar o Cristo Redentor. Antes, passaram por Niterói e pegaram a barca que faz a ligação com a capital fluminense, porque é proibido o tráfego de bicicletas na Ponte Rio-Niterói.
No caminho para São Paulo, uma parada no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro
No caminho para São Paulo, uma parada no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro Crédito: Marcelo Araújo Lopes
Não foi uma maratona fácil. Imprevistos surgiram ao longo de mais de mil quilômetros. O grupo enfrentou muita chuva e teve que parar a viagem para consertar pneus furados das bikes. “Foram pelo menos 20 vezes”, calcula Rian, que é ciclista de competição.
Segundo ele, o trecho mais difícil foi exatamente o inicial, o mais longo, de 240 quilômetros, percorrido sob chuva intensa entre Guriri e Jaguaré. Outro momento de tensão foi quando uma ciclista passou mal, teve indisposição, foi socorrida, se recuperou e continuou a maratona.
"Um dos momentos mais emocionantes aconteceu em Serrinha, no Rio de Janeiro, perto da divisa com o Espírito Santo. Na hora de sairmos para a estrada, no final da madrugada, chovia muito. Mas logo depois que rezamos juntos, a chuva terminou de repente e surgiu um dia lindo com um belo nascer do sol"
Rian Carlos Ferreira dos Anjos - Ciclista
Os 11 ciclistas tiveram o apoio de um carro que levava bagagens, equipamentos para bike e alimentos. O motorista desse veículo, quase no final do dia, adiantava a viagem para acertar a hospedagem dos romeiros em hotéis próximos.
A chuva intensa em alguns trechos e os pneus furados acabaram frustrando a expectativa dos ciclistas, que esperavam chegar à Basílica Nacional de Aparecida a tempo de participar da missa das 16h, mas não foi possível. Eles concluíram a viagem às 19h, passaram pelo santuário para fazer orações e fotos e no sábado e domingo tiveram a programação livre, inclusive para ir às celebrações de fim de semana.
O percurso entre o litoral de São Mateus e Aparecida, no Vale da Paraíba, SP
O percurso entre o litoral de São Mateus e Aparecida, no Vale da Paraíba, SP Crédito: Reprodução
O grupo retornou no domingo (16) em um ônibus de romeiros de Guriri que já estava previamente acertado para trazer os ciclistas de volta para o Espírito Santo.
Rian dos Anjos diz que a demonstração de fé do grupo é a prova que a Igreja Católica está viva, “apesar de ter gente que diz o contrário”, pontua. “É Deus nos abençoando, é Maria colocando seu manto para nos proteger.”

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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