O Instituto Plínio Corrêa de Oliveira (IPCO), instituição ultraconservadora católica que leva o nome do fundador do movimento Tradição Família e Propriedade (TFP), foi às redes sociais criticar o padre Kelder Brandão, da Arquidiocese de Vitória, a quem acusa de promover a “ideologia de gênero” na Igreja Católica.
A postagem do IPCO é uma reação à nota de esclarecimento da Arquidiocese de Vitória, do dia 5 de agosto, apoiando outra nota, esta de repúdio e publicada no dia 23 de julho pelo padre Kelder, que criticou a chamada “Lei Antigênero”, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo.
O porta-voz do IPCO, entidade que tem sede em São Paulo e reúne católicos simpáticos à extrema direita e ao movimento monárquico brasileiro, acusa o sacerdote de Vitória, coordenador do Vicariato para a Ação Social Política e Ecumência da arquidiocese, de defender “atividades pedagógicas de gênero nas escolas e atacar os pais que querem proteger seus filhos”.
A lei, de autoria do deputado Alcântaro Filho (Republicanos), permite que os pais tenham o direito de impedir legalmente que seus filhos recebam conteúdos nas escolas referentes ao que chamam de “ideologia de gênero”, limitando a autonomia dos professores em sala de aula.
O governador Renato Casagrande (PSB) não vetou e nem sancionou a lei, deixando essa tarefa para o próprio Legislativo, que a sancionou, mas agora a matéria está sendo apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir sobre sua constitucionalidade.
O IPCO, ex-TFP, entidade ultraconservadora, anticomunista e muito atuante durante o regime militar, chama a atitude do padre Kelder de “escândalo” e pede aos fiéis que rezem uma Ave-Maria para proteger as crianças.
“Vamos pedir à Arquidiocese de Vitória coerência em relação à fé católica. Nós precisamos de sacerdotes que deem um bom exemplo da santidade e da proteção da inocência infantil”, afirmou o porta-voz da IPCO.
A RESPOSTA DO PADRE KELDER
Procurado pela coluna, o padre Kelder Brandão preferiu não responder diretamente às críticas do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira: “A resposta está no conteúdo das notas”, limitou-se a dizer o sacerdote, referindo-se às notas publicadas pelo Vicariato e pela própria Arquidiocese de Vitória no dia 5 de agosto e assinada pelo arcebispo dom Ângelo Ademir Mezzari