No meio do rio tinha uma geladeira; tinha uma geladeira no meio do rio. Meia tonelada de lixo foi retirada do Rio Jacaraípe, na Serra, durante uma ação de limpeza realizada neste domingo (20). Pneus, garrafas, plásticos, embalagens e outros resíduos estavam entre os materiais recolhidos. Mas um deles conseguiu traduzir, sozinho, o tamanho do problema: uma geladeira duplex no fundo do rio.
Sim, uma geladeira dentro do rio.
A descoberta aconteceu durante o mutirão promovido pela Ambiental Serra, empresa responsável pela operação do esgotamento sanitário da Serra, em parceria público-privada com a Cesan. Mais de 80 voluntários participaram da mobilização, realizada em alusão ao Dia Mundial pela Limpeza das Águas e voltada à preservação dos recursos hídricos e à conscientização sobre o descarte correto de resíduos.
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A geladeira chama atenção pelo inusitado, mas os pneus e demais materiais retirados das águas mostram que o problema está longe de ser um caso isolado. O que é descartado de forma irregular não simplesmente desaparece. Pode alcançar redes de drenagem, rios e o mar, afetando o meio ambiente e os sistemas de saneamento.
Na rede de esgoto, materiais que jamais deveriam chegar às tubulações podem provocar entupimentos, extravasamentos, danificar equipamentos e causar transtornos para toda a população.
A ação reuniu poder público, iniciativa privada, organizações socioambientais e comunidade em torno de uma mensagem que, diante do que foi encontrado, parece óbvia, mas ainda precisa ser repetida: rio não é lixeira. E a rede de esgoto também não.
No fim, foram cerca de 500 quilos de resíduos retirados do Rio Jacaraípe. E, no meio de tudo aquilo, uma imagem difícil de esquecer: uma geladeira no fundo do rio.
A pergunta também fica: como ela foi parar ali?
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