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Leonel Ximenes

“Impedir cultos presenciais não fere a liberdade religiosa”, diz pastor no ES

Para o pastor da Igreja Batista e coordenador do Fórum Evangelho e Justiça, agravamento da pandemia justifica restrições temporárias para as celebrações

Publicado em 08 de Abril de 2021 às 12:17

Públicado em 

08 abr 2021 às 12:17
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Kenner Terra:
Kenner Terra: "Os serviços continuam mesmo com os templos fechados para os cultos presenciais" Crédito: Divulgação
A proibição temporária de cultos e missas presenciais, por causa do agravamento da pandemia de Covid-19, não fere a liberdade religiosa. Não, não é um comunista ateu que está afirmando isso, mas sim o pastor, professor e doutor em Ciências da Religião Kenner Terra, da Igreja Batista no Espírito Santo.
O líder religioso recorreu ao Twitter para expor sua opinião sobre o assunto, que de tão polêmico, está sendo deliberado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento que começou nesta quarta-feira (7).
“A igreja tem importante papel durante a pandemia, que é o de cuidar, assistir espiritual e socialmente as pessoas e contribuir com a saúde mental dos seus membros e demais alcançados. Esses serviços continuam mesmo com os templos fechados para os cultos presenciais. Impedir os cultos presenciais não é ferir a liberdade religiosa, porque podemos continuar professando a fé publicamente”, considerou o pastor, que também é coordenador do Fórum Evangelho e Justiça, que reúne lideranças evangélicas.
Para ele, o quadro atual da pandemia justifica as restrições adotadas por muitos prefeitos e governadores. Terra considera que permitir cultos, mesmo com cuidados sanitários como distanciamento social e uso de álcool em gel, não é adequado porque, segundo ele, essas medidas não são suficientes para garantir a segurança dos fiéis.
“Nesta fase da pandemia, com 4 mil mortes por dia, não há garantias de que as medidas de restrição adotadas para os cultos realmente protejam de todos os riscos”, observou.
"Líderes e igrejas que insistem em realizar cultos, desobedecendo orientações sanitárias e decretos dos governadores, estão agindo contra a lei, colocam em risco seus membros, e qualquer retaliação do Estado não seria perseguição religiosa, mas cumprimento de dever"
Kenner Terra - Pastor da Igreja Batista e coordenador do Fórum Evangelho e Justiça
Terra também criticou André Mendonça, que é pastor e chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), que no STF utilizou argumentos religiosos para sustentar a tese de que as igrejas devem ter celebrações presenciais mesmo com o agravamento da pandemia.
“Em sustentação oral, André Mendonça, especialmente na conclusão cheia de retórica barata, usa paralelismos equivocadíssimos, como o de que ‘não há cristianismo sem a casa de Deus, não há cristianismo sem o dia do Senhor’”, afirmou Terra. “Em resumo, [Mendonça diz que] só há cristianismo com cultos no tempo aos domingos.”
E foi além, na análise da argumentação de Mendonça: “Estranho uma defesa jurídica ser sustentada com discurso teológico — fraquíssimos, diga-se de passagem”, avaliou Kenner Terra. “O irmão Mendonça é protestante? Ele está precisando participar mais da Escola Bíblica Dominical, aula 1: fundamentos da fé”, ironizou o pastor capixaba, sugerindo que falta formação bíblica mais profunda ao chefe da AGU.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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