O Espírito Santo registrou, de janeiro a novembro do ano passado, 1.489 internações relacionadas (135 por mês, em média) a acidentes no trajeto para o trabalho e a outros tipos de sinistros, conforme dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS).
O levantamento aponta os principais motivos das internações. O mais recorrente foi fratura de outros ossos dos membros, com 623 casos, seguido por traumatismo intracraniano (219) e fratura do fêmur (163).
Para o especialista em segurança pública e advogado criminalista Fábio Marçal, que também atua em Direito do Trânsito, o cenário é preocupante. “Além de termos superado a marca de mais de mil mortes em decorrência de acidentes de trânsito, observamos um sistema de saúde pressionado por atendimentos complexos, nos quais os pacientes, quando sobrevivem, enfrentam longos períodos de recuperação nos leitos”, avaliou.
O advogado também destaca impactos diretos na vida dos cidadãos. “Há situações em que pessoas autônomas ou que trabalham por aplicativos nem sequer conseguem acionar o INSS para ter direito ao auxílio por incapacidade temporária. Soma-se a isso o fim do arcabouço do Seguro DPVAT, que ajudava quem mais precisava”, pontuou.
Marçal explica que, nos casos em que o sinistro é provocado por terceiros, existem possibilidades de buscar reparação.
“Nessa seara estão os danos morais, materiais e os lucros cessantes, quando a vítima fica impedida de trabalhar em razão da gravidade do ocorrido. Nas situações mais graves, com óbito, ainda pode haver julgamento pelo tribunal do júri, especialmente em casos de homicídio com dolo eventual no trânsito”, explicou.