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Leonel Ximenes

"Jornal e TV foram a ideologia de Roberto Marinho"

O capixaba Leonêncio Nossa, jornalista do Estadão, está há seis anos mergulhado na biografia de Roberto Marinho, o mais poderoso empresário de comunicação do Brasil da segunda metade do século XX

Publicado em 17 de Maio de 2019 às 14:20

Públicado em 

17 mai 2019 às 14:20
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

lximenes@redegazeta.com.br

Leonêncio Nossa começou a pesquisar a vida de Roberto Marinho há seis anos. Crédito: Divulgação
O jornalista capixaba Leonêncio Nossa, do Estadão, está há seis anos mergulhado na biografia de Roberto Marinho, o mais poderoso empresário de comunicação do Brasil da segunda metade do século XX. O resultado é o livro “O Poder Está no Ar”, cujo primeiro dos dois volumes acaba de ser lançado.
Que Roberto Marinho você descobriu em suas pesquisas?
O homem que exerceu o poder por mais tempo na história do país enfrentou questões pessoais que explicam dramas vividos pela maioria da população.
Ele tinha uma ideologia explícita ou estava ao lado do poder, independentemente da vertente ideológica?
Talvez é preciso situá-lo onde ele sempre esteve: na trincheira em defesa de sua empresa. As ideologias dele foram o jornal e a TV.
Os filhos do Dr. Roberto fizeram um mea-culpa em relação ao apoio que a Globo deu à ditadura. Ele aprovaria esse recuo?
É difícil saber, pois nesse caso homem e tempo não se coadunam. Vale observar, no entanto, que em 1984, nos estertores da ditadura, a economia em um péssimo momento, ele saiu em defesa do regime que apoiou desde o início. Também vale observar que foi empresário-jornalista, tinha consciência do momento presente na garantia do êxito de seu negócio.
A família de RM dificultou ou facilitou seu acesso à pesquisa?
Demorei dois anos para procurar a família. A relação ocorreu com distanciamento pessoal e transparência, condições essenciais no processo de uma biografia. Nunca cogitei livro chapa-branca, hagiografia. A família permitiu o acesso a milhares de documentos, deixou rolar. Todo grupo que trabalha com conteúdo, especialmente minisséries e documentários, tem interesse em acabar com ações que limitam a produção de perfis. O Grupo Globo vive disso. Agora, é preciso destacar que, além dos Marinho, o livro trata de muita gente de influência e poder. Tive dificuldades nessa parte.
Como Roberto Marinho ficará para a história?
Espero que meu livro garanta ao leitor essa resposta. Em seis anos de pesquisas, procurei retratar todas as faces de Roberto Marinho para permitir novas análises sobre ele.

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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