Uma reportagem do segmento de Turismo do jornal Correio Braziliense, o maior e mais tradicional de Brasília (DF), destaca as belezas de Vitória, chamada no site de “ilha paradisíaca”. Mas o texto, que parece em parte feito com recursos de Inteligência Artificial (IA), comete erros crassos em relação à capital capixaba.
Embora o tom geral da reportagem seja de exaltação às belezas e à qualidade de vida de Vitória, um dos equívocos mais contundentes da reportagem está na afirmação de que a cidade promove um festival que simplesmente não existe por aqui.
“[Vitória] celebra o Festival de Inverno de Bonito em julho, levando música para a região serrana. Artistas nacionais se apresentam em cenários naturais únicos”, diz o texto.
Bonito, é bom destacar, é um paraíso natural de Mato Grosso do Sul e, além disso, Vitória não tem nada a ver com a região serrana do Espírito Santo.
Os erros da matéria “Essa ilha oferece beleza paradisíaca única e qualidade de vida excelente”, publicada no dia 21 de setembro, não param por aí. O texto diz também que “os restaurantes no Centro servem moqueca capixaba com pirão de banana”.
Pirão de banana? Nosso delicioso pirão de farinha deve ter ficado ofendido.
SOBROU PARA AUGUSTO RUSCHI
Além dos equívocos nas informações turísticas e gastronômicas, o site erra nas referências históricas. Não se sabe como, mas o texto informa que “Vitória recebeu o apelido ‘Cidade-Presépio’ do poeta Augusto Ruschi pela beleza natural preservada. Morros, baías e ilhas criam cenário único no litoral brasileiro”.
Vamos lá: de acordo com a matéria publicada em A Gazeta no dia 27 de dezembro de 2020, o famoso título conferido à capital do ES não tem relação com o grande capixaba Augusto Ruschi, que não era poeta, e sim um famoso naturalista, ambientalista e patrono da Ecologia no Brasil com fama mundial.
Segundo o escritor Fernando Tatagiba, o título “Cidade-Presépio” surgiu por volta dos anos 1930, com a poeta Haydée Nicolussi, a qual cita a capital do Espírito Santo “como um presepe (presépio), tão formosa…”
Anos mais tarde, explica Tatagiba, a própria autora batizaria Vitória de “Cidade-Presépio”. Os créditos para a nova denominação foram publicados na revista Vida Capichaba (na grafia da época), em 1930, e posteriormente em A Gazeta, em 1974.
Por fim, a reportagem diz que Vitória é sede de várias siderúrgicas (quais?), indica aos visitantes os espetáculos do Teatro Carlos Gomes (que está fechado há anos, coisa triste) e informa que a cidade fica próxima de Vila Velha e Serra (Cariacica, mais uma vez, foi esquecida… que fase…).
Pelo menos a reportagem do Correio Braziliense acertou no fundamental: Vitória é mesmo uma cidade espetacular e merece ser visitada. Aí, não tem erro.