No período de um ano, entre maio de 2024 e maio deste ano, 231 voos foram cancelados no Espírito Santo, impactando 29.337 passageiros. O levantamento é da Resolvvi, uma startup especializada em ajudar consumidores brasileiros a buscar seus direitos na Justiça, com base em informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e estimativas da própria plataforma.
Os dados revelam um efeito direto sobre os passageiros, especialmente pela concentração das operações em um único terminal, na Capital. A maioria absoluta dos cancelamentos, segundo a Resolvvi, ocorreu no Aeroporto de Vitória, principal ponto de entrada e saída aérea do Estado.
A plataforma afirma que, sem alternativas robustas em aeroportos regionais, o sistema capixaba depende fortemente da estabilidade dos voos na Capital, o que torna qualquer interrupção um problema significativo para quem viaja a trabalho ou turismo.
No comparativo regional, os demais Estados do Sudeste apresentaram números mais elevados: São Paulo lidera com mais de 22 mil cancelamentos, seguido por Rio de Janeiro (5.220) e Minas Gerais (3.984). Ainda assim, de acordo com a Resolvvi, os dados do Espírito Santo reforçam que, mesmo volumes menores, podem gerar um grande impacto em Estados com malha concentrada.
A FALTA DA AEROPORTOS ALTERNATIVOS NO ES
Para a Resolvvi, a divulgação dos dados regionais contribui para fortalecer a consciência do consumidor aéreo e estimular políticas mais equilibradas de atendimento por parte das companhias. “O número de cancelamentos no Espírito Santo é baixo em termos absolutos, mas alto em consequência prática. Sem aeroportos alternativos operando em larga escala, o passageiro capixaba tem poucas opções quando um voo é cancelado”, observa Bruno Arruda, CEO da empresa.
Segundo ele, apesar disso, menos de 5% dos passageiros afetados no Brasil buscam reparação judicial, mesmo quando há falha evidente na prestação do serviço. Em todo o Brasil, 40.653 voos foram cancelados no período analisado, com mais de 5,1 milhões de passageiros impactados diretamente.
A Resolvvi, que atua nacionalmente desde 2017, diz que que já recuperou mais de R$ 122 milhões em 24,2 mil pedidos de indenizações, com índice médio de sucesso de 89%.