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Eleições 2024

A nova aposta na eleição em Aracruz após desistência de delegado

Leandro Sperandio desistiu de se candidatar a prefeito. Alcântaro Filho é o possível substituto. Mas até dentro do partido deles, o Republicanos, há quem apoie Dr. Coutinho (PP) na corrida

Publicado em 25 de Julho de 2024 às 02:55

Públicado em 

25 jul 2024 às 02:55
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos)
O deputado estadual Alcântaro Filho (Republicanos) em discurso na Assembleia Legislativa Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O delegado da Polícia Civil Leandro Sperandio (Republicanos) já promoveu duas surpresas nas eleições de 2024. Primeiro, saiu do PL após ter sido apresentado como pré-candidato da sigla a prefeito de Aracruz. Ele havia até recebido as bênçãos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília.
Sperandio filiou-se ao Republicanos para disputar o Executivo municipal e estava em plena pré-campanha, quando, na última terça-feira (23), desistiu de participar da corrida. Isso a poucos dias da convenção municipal do partido, marcada para 1º de agosto.
Assim, em cima da hora, a legenda busca um plano B, que tem nome e sobrenome: Alcântaro Filho, que elegeu-se deputado estadual pelo Republicanos em 2022.
Alcântaro foi candidato a prefeito de Aracruz em 2020 pelo PSD e ficou em segundo lugar, com 14.752 votos (31,49%). Chegou bem perto do eleito, Dr. Coutinho (então filiado ao Cidadania), que foi escolhido por 14.914 eleitores (31,83%).
Na cidade, não há segundo turno. Isso ocorre somente em municípios com mais de 200 mil eleitores.
Aracruz é a terra do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. É sintomático que justamente lá o partido viva emoções inesperadas.
Para voltar ao jogo, a sigla teria que lançar alguém faltando dois meses e meio para o dia da eleição.
Será que Alcântaro topa? 
"Estou orando e ouvindo também as lideranças e os candidatos a vereador. Estamos avaliando se vamos entrar (na disputa eleitoral) em cima da hora e com o desafio de unir a direita", afirmou o deputado estadual.
Ele pretende bater o martelo até o próximo domingo (28).
"Erick disse que avalia meu mandato muito bem, que tenho que tomar uma decisão difícil, mas que o único nome com viabilidade no partido para uma disputa, agora, seria o meu", contou ainda o parlamentar.
O presidente estadual do Republicanos não atendeu a coluna nesta quarta.
No início de julho, ele afirmou que as cidades prioritárias para o partido no pleito de 2024 são as que têm mais de 100 mil habitantes. E listou Aracruz entre elas, embora, a rigor, de acordo com o Censo 2022 do IBGE, o município tenha 94.765 moradores.
Em 2024, Dr. Coutinho, filiado ao PP, é o favorito na disputa. Até mesmo o deputado federal Amaro Neto, do Republicanos, endossa publicamente a reeleição do prefeito.
Questionado, nesta quarta-feira (24), se mudaria de ideia caso Alcântaro Filho entrasse na corrida, Amaro não deixou dúvidas:
"Meu candidato a prefeito de Aracruz é Dr. Coutinho"
Amaro Neto (Republicanos) - Deputado federal
O atual prefeito conta, além do PP, com o apoio de oito partidos, entre eles o PSB do governador Renato Casagrande.
Sperandio, com o auxílio de Alcântaro, havia conseguido atrair DC, PRD, Agir, PSD e Podemos.
O PL, após a saída de Sperandio, teve que improvisar, lançou o pastor Marcelo Souza como pré-candidato a prefeito e segue isolado, sem siglas parceiras.
O delegado da Polícia Civil alegou, na última terça-feira, "motivos pessoais" para desistir de participar das eleições de 2024.
Nos bastidores, aventa-se que pesquisas de intenção de voto, que mostravam Dr. Coutinho na liderança, bem à frente de Sperandio, em segundo lugar, pesaram na decisão do delegado.
Se o Republicanos tinha em seus quadros Alcântaro Filho, que teve um ótimo desempenho em 2020, por que não lançou o deputado estadual como pré-candidato a prefeito de Aracruz em 2024 desde o princípio?
O próprio Alcântaro contou à coluna o que houve.
No início do ano, quando Sperandio era pré-candidato pelo PL, uma leitura comum do cenário era de que os votos do eleitorado de direita iriam se dividir se o Republicanos também lançasse um nome.
Foi aí que Erick Musso entrou em cena e convidou o delegado para mudar de time. Alcântaro concordou em apoiar o novo colega.
O presidente estadual do PL, senador Magno Malta, foi surpreendido pela manobra, em março. Agora, foi a vez de Erick deparar-se com o imprevisto, com o agravante de tem que correr ainda mais contra o relógio.
QUEM É ALCÂNTARO FILHO
O deputado estadual Alcântaro Filho já foi filiado ao PPS (antigo nome do Cidadania), ao PSDB, ao PRP (que se fundiu ao Patriota), à Rede e ao PSD.
Mas incorporou, ao menos publicamente, o slogan do Republicanos, "o verdadeiro partido conservador do Brasil". O partido nasceu na Igreja Universal do Reino de Deus.
Na Assembleia (Legislativa), o parlamentar frequentemente está com a Bíblia nas mãos. Os discursos dele em plenário baseiam-se mais no livro sagrado para os cristãos do que na Constituição, o que é curioso, já que o deputado é advogado.
Ele defende pautas que agradam, em tese, ao eleitorado evangélico e conservador. Alcântaro, por exemplo, é autor da Lei 11.858, que proíbe sátiras envolvendo religiões no estado e prevê multa em caso de descumprimento.
O deputado também ganhou visibilidade ao requisitar à Assembleia o pagamento de auxílio-alimentação no valor de R$ 1,8 mil mensais. O salário bruto de um deputado estadual é de R$ 33 mil, mas, desde abril de 2023, eles também têm direito ao benefício.
Alcântaro afirmou, na ocasião, que pediria para receber a verba extra, paga pelos cofres públicos, mas, em troca, doaria o equivalente a R$ 1,8 mil em cestas básicas a entidades de Aracruz.
Isso poderia ser um problema em ano eleitoral, afinal, indiretamente, o deputado usa verba pública para beneficiar potenciais eleitores.
Nesta quarta, entretanto, ele afirmou à coluna que, desde março, justamente devido às eleições de 2024, suspendeu as doações: "Vou voltar a doar após as eleições, inclusive o valor acumulado desde março".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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