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Assembleia do ES

Após reunião com Casagrande, deputado "faz as pazes" com o governo

Adilson Espíndula nunca deixou a base aliada, mas saiu de uma demonstração de descontentamento para um tom bem mais brando. Veja o que mudou

Publicado em 20 de Março de 2023 às 16:58

Públicado em 

20 mar 2023 às 16:58
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Deputado estadual Adilson Espíndula
Deputado estadual Adilson Espíndula Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O deputado estadual Adilson Espíndula (PDT) jamais se disse fora da base aliada ao governador Renato Casagrande (PSB) na Assembleia Legislativa, mas manifestou descontentamento com o Executivo estadual.
Votou contra o governo, por exemplo, em relação à Bolsa Estudante – concordou com a emenda de Fabrício Gandini (Cidadania) que dobrou o valor do benefício – e quanto às câmeras nos uniformes dos policiais penais.
Uma portaria da Secretaria de Justiça já estabelece o uso dos equipamentos. O deputado oposicionista Callegari (PL) queria anular a medida. Espíndula ficou ao lado de Callegari. Mas essa o governo venceu. As câmeras seguem valendo.
Na última segunda-feira (13), Adilson Espíndula chegou a discursar em tom crítico ao Palácio Anchieta. Já nesta segunda (20), "está completamente diferente", de acordo com o observado por um governista em plenário, à tarde.
Ocorre que, pela manhã, o deputado do PDT esteve com o governador Casagrande. "Tive uma conversa hoje pela manhã", confirmou o parlamentar à coluna.
"Essa conversa não altera minha relação com o Palácio. Sempre fiz parte da base do governo e pretendo continuar", destacou. 
Espíndula falou com a coluna apenas por mensagens de WhatsApp. Não especificou qual foi o tom da conversa. Se pediu algo, se foi atendido. Mas, parece que sim. 
"Não tenho um descontentamento (com o governo), mas sempre é necessário fazer alguns ajustes, pois tenho aspirações permanentes nas minhas demandas para os municípios", escreveu o deputado em resposta à coluna.
Vice-líder do governo na Assembleia, Tyago Hoffmann (PSB) afirmou que a "relação (de Espíndula) com o governo foi restabelecida". Mas em troca de quê? "Relação política mesmo", pontuou.
O deputado do PDT tentou presidir a Comissão de Agricultura da Assembleia e não conseguiu se emplacar no posto. O governo não o ajudou na ocasião. São muitos pleitos a serem atendidos num universo de 30 deputados.
Sem contar que, em tese, a divisão de espaços internos da Casa deveria ser de âmbito... interno.
 O CASO GANDINI
Gandini, ao contrário de Adilson Espíndula, chegou a abandonar a base aliada. Ele se diz independente. Como a coluna mostrou, ele se encontrou com Casagrande, pela primeira vez desde o entrevero, na última quinta-feira (16).
O afastamento de Gandini em relação ao Palácio Anchieta é resultado de diversos fatores, entre eles o "encolhimento" do Cidadania e as articulações para as eleições municipais do ano que vem.
Questionado pela coluna sobre como foi o encontro com o chefe do Executivo estadual, o deputado do Cidadania, respondeu, via assessoria de imprensa, que "cabe ao governo falar".
A coluna demandou a Secretaria Estadual da Casa Civil, que não se manifestou até a publicação deste texto.
De qualquer forma, apesar de alguns percalços, a gestão Casagrande segue com o apoio da maioria na Assembleia Legislativa.
CASAGRANDE: "INSATISFAÇÃO PONTUAL"
"São momentos de insatisfação dos parlamentares que, na minha avaliação, se resolvem na relação com os parlamentares. Sempre falo o seguinte: o parlamentar e o governo não podem jogar por terra uma relação de muito tempo. Nós temos uma relação com o Adilson Espíndula de quatro anos, em que a gente prestigia o mandato dele e ele apoia o governo", afirmou Casagrande à coluna no último dia 15.
"Não é uma insatisfação pontual que pode estar atrapalhar uma relação de parceria, que produz resultado tanto para ele, como deputado, como para nós, enquanto governo", complementou o governador.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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