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Eleições 2022

Casagrande reforça estratégia CasaNaro em campanha no interior

Em Barra de São Francisco, governador acolheu eleitora que pretende votar em Bolsonaro e repetiu o que ela disse: "É 40 e 22"

Publicado em 26 de Outubro de 2022 às 15:22

Públicado em 

26 out 2022 às 15:22
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande, ao microfone, faz campanha em Barra de São Francisco. Com os braços para cima, o prefeito da cidade, Enivaldo dos Anjos
Governador Renato Casagrande, ao microfone, faz campanha em Barra de São Francisco. Com os braços para cima, o prefeito da cidade, Enivaldo dos Anjos Crédito: Rodrigo Zaca
Ao lado de aliados, como o prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos (PSD), e o deputado estadual eleito Mazinho dos Anjos (PSDB), o governador Renato Casagrande (PSB) caminhou, em campanha, pela cidade do Noroeste do Espírito Santo nesta quarta-feira (26). Faltam quatro dias para o segundo turno. Ele disputa a reeleição contra o ex-deputado federal Carlos Manato (PL).
Em dado momento da caminhada, uma mulher diz a Casagrande que vai votar nele e em Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição à Presidência da República. Bolsonaro, entretanto, apoia Manato. O governador declarou voto no ex-presidente Lula (PT).
O socialista não se engajou na campanha do petista e tem dito que, seja qual for a opção do eleitor para o Palácio do Planalto, deve votar 40, número de urna de Casagrande, para governador. 
Neste episódio em Barra de São Francisco, especificamente, um vídeo mostra que ele aponta para alguém e diz: “O primeiro voto é 40 e ela vai votar no 22 no segundo voto. É 40 e 22. Então, você escolhe o seu presidente que você achar melhor, mas você vota no 40, que é o melhor governador para esse estado”.
No primeiro turno, Bolsonaro recebeu 52,3% dos votos no Espírito Santo. Lula ficou com 40,40%. 
Ciente de que, ironicamente, precisa dos votos dos bolsonaristas para vencer um bolsonarista, Casagrande soltou a mão do ex-presidente, a qual nunca chegou a apertar com firmeza. 
Apesar de ter parecido bem confortável ao afirmar "é 40 e 22" ao exemplificar o voto da eleitora, não se pode dizer que o governador pediu votos para Bolsonaro.
Ele apenas incentiva que os apoiadores do presidente da República não votem automaticamente em Manato. Devido a isso, o socialista fica impedido de fazer críticas ao governo federal, para não melindrar o público alvo. 
Centra fogo em Manato, a quem chama de "despreparado" e "retrocesso", apesar de o candidato do PL local representar várias das características de Bolsonaro. É uma sinuca de bico.
Manato, por sua vez, no segundo turno se apresenta como "o governador do Bolsonaro". A campanha prega, basicamente, o contrário do argumento do governador: "é 22 lá e 22 cá".
Em resumo, a ideia é que ter um governador alinhado ao chefe do Executivo federal vai trazer um saldo positivo para o estado. Isso, claro, se Bolsonaro for reeleito. Em contrapartida, Casagrande se apresenta como "o único capaz de dialogar com quem quer que seja o presidente (Lula ou Bolsonaro)".
Para Manato, a estratégia do adversário é "desespero".
Em Barra de São Francisco, no primeiro turno, Bolsonaro teve 50,53% dos votos. Lula, 44,62%. Na cidade, Casagrande recebeu 55,89%, contra 39,47% de Manato.
Aliados do governador, como o deputados federais eleitos Gilson Daniel e Victor Linhalis, ambos do Podemos, já declararam que vão votar CasaNaro, ou BolsoGrande. 
O mesmo vale para a vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane (Patriota). Ao contrário do prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é um opositor do socialista, a capitã apoia o atual governador e tem participado da campanha dele. A militar também está com Bolsonaro.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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