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Eleições 2022

"Investigação poderá apontar outras razões", diz Casagrande sobre ataques em Vitória

Ônibus foi metralhado e outros incendiados. Espírito Santo está em meio ao segundo turno da disputa para governador

Publicado em 12 de Outubro de 2022 às 02:10

Públicado em 

12 out 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande
Governador Renato Casagrande em entrevista coletiva na sede da Secretaria de Segurança Pública, em Vitória Crédito: Fernando Madeira
A Polícia Militar foi à procura do traficante Marujo, no bairro Bonfim, após a inteligência da corporação receber a informação de que o criminoso estava no local, na noite de segunda-feira (10), cercado por seguranças armados e prestes a atacar rivais.
De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, coronel Celante, o confronto com o grupo não se deu ao acaso. Um dos seguranças de Marujo foi morto na abordagem, o que se transformou no estopim para uma série de ataques em Vitória na terça-feira (11).
Foi uma "homenagem" da facção criminosa ao bandido que "caiu" e um desafio à polícia.
A inteligência, visivelmente, não conseguiu agir preventivamente e evitar a série de ônibus incendiados na Capital. "Mas, graças à inteligência, prendemos dez pessoas responsáveis pelos ataques", frisou Celante, em entrevista à coluna.
Pouco antes, quem falou foi o governador Renato Casagrande (PSB), que disputa a reeleição.
A "inteligência" das redes sociais e de aliados do socialista, à boca miúda, questiona se não há um viés eleitoral por trás da ação orquestrada pelo grupo criminoso em meio ao segundo turno do pleito.
É teoria da conspiração elevada à décima potência imaginar uma trama dessa magnitude. Mas vamos lá.
O próprio Casagrande afirmou à coluna não acreditar na tese.
"Não acho (que tem motivação eleitoral). Estamos investigando. O trabalho de investigação poderá apontar (isso). Estamos trabalhando com um único caminho, que é o de uma reação do grupo criminoso que perdeu um líder importante num enfrentamento com a polícia", afirmou.
Tem um parêntese aí, ao ressaltar que "a investigação poderá apontar".
O governador reafirmou, logo depois:
"Lógico que é fundamental que a gente tenha um estado que tenha uma polícia com independência para trabalhar, que a gente tenha um comando de segurança pública que tenha capacidade de investigar e punir quem quer que seja. A investigação poderá apontar outras razões (para os ataques em Vitória)".
Opositores do socialista, especialmente os apoiadores de Manato (PL), que disputa com o governador o segundo turno, aproveitam a oportunidade para criticar a gestão estadual. E é do jogo. Quem está no governo vira vitrine.
O próprio governador ainda cometeu um deslize, ao manter agenda de campanha com vereadores justo na tarde desta terça.
Uma coisa, entretanto, à parte as teorias conspiratórias, chamou a atenção da coluna.
Um perfil no Twitter, que se diz porta-voz de uma facção criminosa e está no ar desde 2018, provocou o governador.
Borrei o endereço da conta toscamente, mas é este o print:
Tuíte em que organização criminosa cita o governador Renato Casagrande
Tuíte em que organização criminosa cita o governador Renato Casagrande Crédito: Reprodução
Na Secretaria de Segurança Pública a informação é de que o perfil já está sendo investigado, mas o fato de o Twitter não revelar os dados de quem está por trás das publicações dificulta o trabalho.
Ou seja, pode nem ser um integrante da facção criminosa o responsável pelas postagens. Mas, no mínimo, apologia ao crime tem aí.
Uma aliado de Casagrande diz que a publicação pode ajudar na linha de investigação, se houver, de indícios de interesse político-eleitoral por parte do crime organizado.
Em nenhum momento, nem mesmo em declarações em off, como se diz no jargão da imprensa, o nome de Manato foi citado, cabe frisar. 
O candidato do PL interrompeu a agenda de campanha e solicitou, por intermédio do senador eleito Magno Malta (PL), que o governo Bolsonaro envie a Força Nacional ao Espírito Santo.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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