Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Eleições 2024

João Coser: "Presidente não elege prefeito e prefeito não elege presidente”

Em sabatina, candidato a prefeito de Vitória afirmou, entretanto, que não vai esconder Lula na campanha e ainda alfinetou Pazolini. Deputado também foi questionado sobre auxílio-alimentação aprovado pela Assembleia. Veja a análise da coluna

Publicado em 03 de Setembro de 2024 às 17:09

Públicado em 

03 set 2024 às 17:09
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O ex-prefeito de Vitória João Coser (PT) quer voltar ao comando do Executivo municipal sem “esconder” o presidente da República, Lula, maior líder do Partido dos Trabalhadores. Em sabatina realizada por A Gazeta e Rádio CBN Vitória, nesta terça-feira (03), o candidato do PT ainda aproveitou para alfinetar o principal adversário, Lorenzo Pazolini (Republicanos): “O Lula não sei se virá aqui (para participar da campanha). Devido à agenda de presidente, ele tem muitas tarefas, mas é meu convidado. Realmente, sou ligado ao PT, não nego isso. Infelizmente, meu adversário (Pazolini) nega, mas é bolsonarista".
"Mas nós achamos que isso (apoio de presidente ou ex-presidente) não interferirá nas eleições. Quando a população escolhe o prefeito, ela escolhe a partir do que ele (o candidato a prefeito) fez."
Veja a entrevista, na íntegra, no vídeo acima.
Não à toa, Pazolini, na entrevista realizada na segunda-feira (2), tergiversou e não revelou se é ou foi bolsonarista: “Isso não é relevante”.
"A eleição do Lula (em 2026) não depende deste debate municipal. Normalmente, é um debate nacional, um grande programa econômico social e político, que não perpassa pela prefeitura. Nem o Lula elege prefeito e nem prefeito elege o Lula", apostou o veterano político. 
Se Coser quisesse se afastar do petismo, o que nem é seu objetivo, teria bastante dificuldade, já que é filiado ao partido há mais de 40 anos.
O próprio candidato do PT creditou ao antipetismo o fato de ser o mais rejeitado entre os concorrentes à Prefeitura de Vitória: 42% dizem que não votariam em Coser de jeito nenhum.
O ex-prefeito está em segundo lugar na corrida, com 17% das intenções de voto, 34 pontos percentuais atrás de Pazolini.
Coser, desde 2023, é deputado estadual. É um petista histórico e moderado.
Durante a entrevista, o ex-prefeito declarou-se até “meio conservador”. Isso em relação a uma questão pontual, o uso de linguagem neutra. Ele, por exemplo, é contra cantar o hino nacional desta forma: “Des filhes deste solo…” em vez de “Dos filhos…” e da adoção da linguagem neutra nas escolas.
"Acho que eu sou, assim, meio conservador, né? 68 anos de idade, italiano lá da roça. Não concordo, não"
João Coser (PT) - Candidato a prefeito de Vitória
"Respeito a opinião das pessoas, respeito o comportamento das pessoas, respeito tudo. Mas eu, particularmente, quero uma educação de mais qualidade para preparar o jovem para a vida, além de passar no Enem e no concurso", acrescentou o petista.
Admitiu, em poucas palavras, que em Cariacica e Vila Velha, “praticamente não tem eleição…”, em referência ao favoritismo dos respectivos prefeitos Euclério Sampaio (MDB) e Arnaldinho Borgo (Podemos).
Ou seja, os candidatos do PT nessas cidades, Célia Tavares e João Batista Babá, têm chances mínimas de vencer.
Na sabatina, Coser não negou as origens e respondeu objetivamente às perguntas. Fez questão de listar os feitos da gestão dele (2005-2013), mas os apresentou, claro, de forma mais positiva do que adversários ou pessoas mais isentas poderiam fazer.
Coser também, como é esperado de um candidato de oposição, aproveitou oportunidades para criticar o atual prefeito, mas sem “fugir ao tema” das questões e sem resvalar para ofensas.
O asfaltamento, ou reasfaltamento de ruas da cidade foi um dos principais alvos. "Tem muita coisa para se fazer em Vitória sem ser asfalto."
Mas o tom foi mais brando do que o adotado pelo ex-prefeito no dia da convenção municipal da federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), quando bradou que Pazolini “só fez asfalto e projeto PowerPoint”.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO
Talvez a pergunta que João Coser menos esperava, mas respondeu, de algum jeito, foi sobre o auxílio-alimentação de R$ 1,8 mil pago a deputados estaduais.
Como já mencionado neste texto, hoje Coser está na Assembleia Legislativa.
No ano passado, os deputados aprovaram, à unanimidade, a extensão do pagamento a eles mesmos do auxílio de R$ 1,8 mil, benefício que os servidores da Casa já tinham.
Além de não votar contra, o deputado do PT pediu para receber o benefício. Na época, era preciso fazer a solicitação para contar com a verba extra. E continua recebendo.
O salário de um deputado estadual é de R$ 33 mil brutos.
Por que Coser foi favorável ao benefício? E por que faz jus a ele? Foi o que perguntei.
“Aquele projeto foi idealizado pelo presidente da Assembleia (Marcelo Santos). Ele falou com todos os deputados e todos os deputados concordaram. Ele (o projeto) passou sem debate e todos os deputados concordaram”, afirmou Coser.
"Nós não precisamos, individualmente, disso, mas pelo critério de isonomia, o Tribunal de Contas tem, o Judiciário tem, o Ministério Público tem (auxílio-alimentação pago aos membros desses Poderes e instituições). Os deputados se acharam também em condições de ter. Pode ser um equívoco, mas um equívoco coletivo”, justificou, ou tentou justificar.
Obviamente, esse auxílio não é nada popular. O equívoco é coletivo, mas somente foi posto em prática pela decisão, individual, de cada deputado de votar a favor.
Coser argumentou que se a Assembleia não tivesse criado o benefício, na comparação com os demais Poderes, ele se tornaria “um deputado de segunda categoria”.
OS DESAFIOS
Lorenzo Pazolini tem 51% das intenções de voto e, assim, pode ser reeleito já no primeiro turno, mas a margem é estreita. O desafio de Coser e dos outros candidatos a prefeito da cidade é crescer o suficiente para impedir que o atual prefeito alcance, no dia 6 de outubro, ao menos 50% dos votos mais um voto.
Aí a disputa vai para o segundo turno. Coser, hoje, é o que tem mais chances de chegar lá. Em 2020, ele enfrentou Pazolini na segunda etapa.
Ganhar a eleição, contudo, são outros quinhentos. A alta rejeição do petista e a avaliação positiva da gestão de Pazolini são empecilhos.
A estratégia do petista é chamar a atenção do eleitor para o que considera falhas da administração municipal. Outra coisa que ele tem feito é alertar para o perigo de, num futuro próximo, Vitória transformar-se em "cidade dormitório" e ser ultrapassada por Serra e Vila Velha devido à falta de dinamismo econômico.
São temas bem locais, distantes do debate ideológico. Nesse sentido, é uma tática parecida até com a do próprio Pazolini, guardadas as devidas proporções.

Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Por que novo tarifaço de Trump não deve decidir eleição a favor de Lula
Empresa
O jogo infinito das empresas que atravessam gerações
Homenagem a Camila Morgado na 3ª noite do 33º Festival de Cinema de Vitória
Camila Morgado é homenageada no no 33º Festival de Cinema de Vitória; veja como foi a festa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados