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Governo Lula

"Lava Jato teve apoio de gente decente", diz Casagrande ao defender Camata

Secretário de Controle e Transparência foi anunciado para chefiar PRF e "desindicado" por ter elogiado a Operação Lava Jato e defendido a prisão de Lula no passado

Publicado em 27 de Dezembro de 2022 às 14:25

Públicado em 

27 dez 2022 às 14:25
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Secretário de Controle e Transparência Edmar Camata, futuro diretor-geral da PRF
Secretário de Controle e Transparência Edmar Camata Crédito: Divulgação/Secont
O governador Renato Casagrande (PSB) disse que não sugeriu o secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, Edmar Camata, para a diretoria-geral da Polícia Rodoviária Federal, mas endossou o nome dele após ser consultado pelo futuro ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB).
Camata foi anunciado por Dino como novo chefe da PRF – ele integra a instituição – e "desindicado" menos de 24 horas depois. O revés veio na esteira de ataques da militância lulista nas redes sociais contra o secretário.
Publicações antigas em que o PRF elogiou a Operação Lava Jato e defendeu a prisão do hoje presidente eleito Lula (PT) foram "desenterradas".
"Muita gente, quando surgiu a Lava Jato, apoiou mesmo. Depois é que as pessoas foram vendo o uso político da operação. Mas teve apoio de muita gente decente"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Gente que está no governo (Lula), partidos que compõem o governo. Eles apoiaram (a operação), como PSol, Rede, PSB, pessoas do MDB e diversos outros", afirmou o governador à coluna durante entrevista na Rádio CBN Vitória, nesta terça-feira (27).
Até de "fascista" Camata foi chamado no Twitter. Quem conhece o secretário sabe que ele tem lá seus defeitos, mas esse não é um deles. Camata foi candidato a deputado federal pelo PSB em 2018, nunca foi um militante do partido, mas está longe de ser um opositor do sistema democrático. Ao contrário.
"Acho que o Camata sofreu um ataque por esse apoio dele no passado (à Lava Jato), mas isso não foi totalmente correto em relação à sua história e ao seu compromisso com o país", comentou o governador.
O aliado vai permanecer na secretaria a partir de janeiro.
O policial rodoviário federal Antônio Fernando Oliveira foi anunciado por Dino como o "novo novo" diretor-geral da PRF. Oliveira é amigo do futuro ministro e, nas redes sociais, mostra-se fã do ex-ditador cubano Fidel Castro.
Nas associações de classe da PRF, o nome de Camata foi bem recebido. Seria um perfil equilibrado para transitar entre a corporação majoritariamente bolsonarista e o governo petista.
Não demorou a surir um vídeo do próprio Flávio Dino, em uma entrevista antiga, elogiando o então juiz Sergio Moro, que conduziu a Lava Jato em Curitiba.
"É um bom juiz, um juiz técnico, muito respeitado pelos colegas e, de modo geral, acho que ele tem acertado", afirmou o futuro ministro da Justiça. Questionado a respeito da possível motivação política de Moro enquanto magistrado, Dino avaliou que "ele tem se portado corretamente".
Depois, as avaliações sobre o então juiz desandaram. Ele deixou a magistratura para integrar o governo Jair Bolsonaro (PL), ocupou a mesma cadeira que vai caber a Dino. E a Vaza Jato mostrou conversas pouco republicanas entre Moro e os procuradores da República que atuaram na operação.
Foi a pá de cal na reputação de Moro. As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
Ele deixou o governo acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Na campanha de 2022, entretanto, até serviu como assessor do presidente da República em um debate contra Lula.
Moro foi eleito senador pelo União Brasil no Paraná.
A coluna não conseguiu contato com Camata nesta terça-feira. À jornalista Bela Megale, de O Globo, ele afirmou, já após a "desindicação", que "a Lava Jato se perdeu".

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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