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Presidente da Assembleia

Marcelo Santos, o novo queridinho da direita no ES

Deputado estadual do Podemos tem sido incensado após atuação no episódio da prisão, e posterior soltura, de Capitão Assumção

Publicado em 15 de Março de 2024 às 03:00

Públicado em 

15 mar 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Lucas S.Costa/Ales
O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos, já foi filiado ao PDT, um partido de esquerda, com o qual ainda mantém uma boa relação. Desde 2021, está filiado ao Podemos, legenda que, de acordo com a própria presidente nacional, Renata Abreu, não é nem de esquerda nem de direita, mas "para frente", seja lá o que isso signifique.
Marcelo já teve passagens pelo PTB e, por vários anos, esteve no PMDB. Na prática, presidente da Assembleia é pragmático e evita se alinhar a quaisquer extremos.
Tem sido aliado do governador Renato Casagrande (PSB), mas, recentemente, virou queridinho da oposição, notadamente dos integrantes da direita e da extrema direita. Ele alcançou tal posição após a prisão do deputado estadual Capitão Assumção (PL).
O parlamentar foi alvo de mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por descumprir ordem do Supremo. A Constituição Estadual, seguindo parâmetros da Federal, determina que um deputado somente pode ser preso em flagrante de crime inafiançável e, ainda assim, a Assembleia tem que ser notificada em até 24h para deliberar se a prisão deve ou não ser mantida.
O Supremo notificou a Casa e Marcelo rapidamente definiu o rito para resolver a questão. Foi algo inédito na história da Assembleia capixaba. 
Por maioria esmagadora de votos — ou seja, com o endosso de deputados da esquerda também — os parlamentares decidiram suspender os efeitos da prisão. Como consequência, Assumção ganhou a liberdade.
Marcelo absteve-se na votação. Como presidente, ele somente se posicionaria se houvesse empate. Em entrevista logo após o resultado, entretanto, questionado pela coluna, afirmou que, se tivesse que votar, optaria pela revogação da prisão: "Porque entendo que não houve flagrante e não houve crime inafiançável e temos que seguir o que diz a Constituição".
A Secretaria de Comunicação da Assembleia chegou a divulgar fotos para a imprensa do momento da saída de Assumção do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória, onde era mantido durante a prisão.
No primeiro discurso após voltar ao plenário, o deputado estadual do PL cobriu o presidente da Casa de elogios. Aliás, Assumção exortou Marcelo Santos a alçar voos políticos mais altos. Marcelo quer ser eleito deputado federal em 2026. Mais que isso, só se disputasse o Senado ou o governo estadual.
Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, Gilvan da Federal (PL) propôs, no último dia 11, "moção de aplausos e louvor ao deputado estadual Marcelo Santos, presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, pela decisão de submeter ao plenário daquela casa legislativa a revogação da prisão do dep. Capitão Assunção e aos demais deputados estaduais que votaram a favor pela revogação da prisão".
A moção foi aprovada pela Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, contra os votos da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) e do deputado Tadeu Veneri (PT-PR). Os deputados Rodolfo Nogueira (PL-MS), General Pazuello (PL-RJ) e Capitão Alden (PL-BA) apoiaram a iniciativa de Gilvan.
Provavelmente, nenhum deles sabe quem é Assumção e tampouco quem é Marcelo Santos, mas a retórica ideológica vazia é o que dá o tom ultimamente na política brasileira.
É preciso registrar, porém, que, mesmo os deputados que não são de direita elogiaram a atuação de Marcelo no caso Assumção, uma vez que ele não tentou influenciar diretamente os votos dos colegas.
E nem seria necessário. O governo estadual liberou os deputados da base, que são maioria no plenário, para se posicionar como bem entendessem. O corporativismo e o bom relacionamento que Assumção mantém com os demais fizeram o restante do trabalho.
O fato de a prisão preventiva ter sido decretada mais de um ano depois de Assumção ter descumprido a ordem de Moraes de não fazer publicações em redes sociais também pesou a favor do placar.
Melhor para Assumção e, pelo visto, para Marcelo Santos.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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