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Eleições 2022

Na convenção de Magno Malta, Lula, Casagrande e Contarato viram alvo

O discurso do "nós contra eles" se repetiu, assim como a música gospel "noites traiçoeiras". Ex-senador ainda disse ser o idealizador de auxílio pago pelo governo federal

Publicado em 30 de Julho de 2022 às 16:03

Públicado em 

30 jul 2022 às 16:03
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Convenção do PL lançou Manato para concorrer ao governo e Magno Malta ao Senado
Magno Malta discursa durante convenção do PL do Espírito Santo, em Vila Velha Crédito: Thiago Coutinho
A disputa pelo Senado no Espírito Santo rendeu mais emoções, até agora, que a corrida pelo governo do estado. Ninguém esperava a substituição de Sérgio Meneguelli por Erick Musso, ambos do Republicanos, por exemplo.
Ainda há a indefinição sobre coronel Ramalho, se ele vai ou não conseguir se lançar pelo Podemos. E o pastor Nelson Junior (Avante) segue sem rumo.
Mas uma coisa sempre foi dada como certa: a presença do ex-senador Magno Malta (PL) no páreo. Neste sábado (30), ele foi homologado como candidato na chapa do ex-deputado Carlos Manato (PL), que concorre ao Palácio Anchieta.
A convenção do PL foi aos moldes tradicionais de Magno. No cerimonial Casa di Lucca, no Centro de Vila Velha, como a de 2018, quando ele tentou, sem sucesso, a reeleição.
O discurso virulento, de "nós contra eles", também se repetiu, assim como a música gospel "noites traiçoeiras", entoada por Magno e demais correligionários no evento.
O apoio ao presidente da República, Jair Bolsonaro, do mesmo partido, deu o tom, assim como pautas mais nacionais que regionais, como ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Velhos espantalhos, como "a ameaça comunista" apareceram nos discursos de candidatos a deputado. Um deles chegou a dizer que "as universidades públicas estão cheias de comunistas. É verdade".
O mantra de Bolsonaro, "Deus, pátria e família", foi entoado à exaustão, assim como a frase "nossa bandeira jamais será vermelha".
Como era de se esperar, a campanha de Magno vai ser calcada no bolsonarismo. 
Ele chegou até a dizer, em discurso, que é o idealizador do Auxílio Brasil, ou do auxílio emergencial (usou os dois termos em momentos diferentes), pago pelo governo federal.
O ex-senador não tem qualquer função no Executivo. É um apoiador do presidente nas redes sociais e passou a receber reciprocidade por parte do presidente. 
Bolsonaro o convida para agendas oficiais e o mencionou nominalmente durante discurso em Vitória no dia 23. Logo após, o presidente falou em "perdão" e que "todo mundo merece uma segunda chance".
Integrantes do Republicanos dizem que foi por intervenção de Bolsonaro que o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, decidiu rifar Meneguelli da corrida pelo Senado. O ex-prefeito de Colatina tinha potencial para tirar votos do candidato do PL.
Magno nega ter feito qualquer intervenção nesse sentido.
Os alvos preferenciais na convenção do PL neste sábado foram o ex-presidente Lula (PT), chamado de "ladrão", e o governador Renato Casagrande (PSB), com gritos de "fora, Casagrande".
O petista lidera as pesquisas de intenção de voto para a presidência da República. O socialista, a corrida pela reeleição. 
O "ERRO" CONTARATO
Por mais de uma vez, aliados do ex-senador disseram, na convenção deste sábado, que a eleição do senador Fabiano Contarato (então filiado à Rede), em 2018, "foi um erro" a ser reparado. 
Contarato, delegado aposentado da Polícia Civil, é um crítico do governo Bolsonaro, hoje está filiado ao PT e tem mais quatro anos de mandato, não disputa o pleito atual.
Nas últimas eleições, foi um dos responsáveis por Magno ter ficado na planície. O então redista e Marcos do Val (na época filiado ao Cidadania) ficaram com as cadeiras outrora ocupadas pelo cantor gospel e por Ricardo Ferraço (PSDB).
Curiosamente, Contarato e Magno já foram aliados. Em 2014, o então delegado filiou-se ao PR (hoje PL) e quase disputou o Senado, com o aval do ex-senador, que na época estava no mandato. 
O pedido de registro de candidatura já estava feito. Depois, a renúncia foi registrada na Justiça Eleitoral. Oficialmente, Contarato alegou "motivos estritamente pessoais" para o recuo. 
Hoje, Magno e Contarato não poderiam estar em lados mais opostos. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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