Sair
Assine
Entrar

Eleições 2024

Pazolini foge de polêmicas e adota tom (ainda mais) moderado em sabatina

Prefeito de Vitória é candidato à reeleição e lidera a corrida. Veja a estratégia que ele usou ao ser questionado sobre Bolsonaro, Casagrande e outros temas. E confira a análise da coluna

Publicado em 02 de Setembro de 2024 às 14:28

Públicado em 

02 set 2024 às 14:28
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato à reeleição, não é conhecido por grandes arroubos verbais, embora não seja mau orador, ou por se posicionar firmemente quando temas polêmicos estão em discussão. É o estilo e a estratégia política dele. E não foi diferente na sabatina realizada por A Gazeta e Rádio CBN Vitória nesta segunda-feira (2). Veja a entrevista na íntegra no vídeo acima.
Pazolini evitou a todo custo responder diretamente a questões incômodas e até em relação a perguntas sem muita controvérsia o prefeito preferiu ser comedido. 
O republicano tem 51% das intenções de voto, de acordo com pesquisa Quaest divulgada no último dia 28. 
É uma margem estreita para vencer no primeiro turno, mas confortável se considerarmos que ele está 34 pontos percentuais à frente do segundo colocado, o deputado estadual e ex-prefeito João Coser (PT), que aparece com 17%.
Então, por que Pazolini mudaria de tática? Ao que tudo indica, está dando certo. 
O eleitor de Vitória, hoje, tem simpatia por um perfil mais moderado.
Mas o prefeito poderia, digamos, ser mais incisivo.
Em 2022, Pazolini não declarou voto para presidente da República. Recentemente, foi chamado de "covarde", pelo deputado estadual Capitão Assumção (PL), também candidato a prefeito, devido a isso. 
Em 2022, o Republicanos estava coligado com o PL de Bolsonaro. 
Mas Pazolini, pessoalmente, é ou foi bolsonarista? Foi uma das perguntas que fiz nesta segunda. 
Após um longo preâmbulo, em que falou de pandemia, retração econômica, em cuidar das pessoas, o prefeito ... não respondeu nem sim nem não: 
"Sempre conduzi minha política de forma independente (...). Tenho minhas convicções, mas elas não são relevantes. O importante é cuidar do povo e é o que temos feito". 
Para 46% dos eleitores de Vitória, de acordo com a pesquisa Quaest, o melhor é que o prefeito da Capital não se alinhe politicamente a Bolsonaro e nem ao presidente Lula (PT).
Então, ao não se posicionar, Pazolini até fez bem, do ponto de vista da estratégia eleitoral. 
Mas o "não posicionamento" foi quase geral na entrevista.
Por exemplo:
Pazolini disse que vai incrementar a receita de Vitória. Como? Quis saber o colunista Abdo Filho? 
Ouvindo as pessoas, os setores econômicos e, para isso, o prefeito vai contar com o auxílio da vice na chapa, a empresária Cris Samorini (PP). 
Não foi uma resposta muito concreta, mas uma coisa Pazolini garantiu: "O aumento da arrecadação não vai vir do aumento de impostos".
Quando questionado sobre uma crítica comum que adversários fazem a ele, a de que Pazolini "isolou" Vitória, principalmente, por não ser aliado do governador Renato Casagrande (PSB), o prefeito evitou rebater os concorrentes. 
Elencou parcerias firmadas entre a gestão municipal e o Palácio Anchieta, como uma delegacia da Polícia Civil que funciona em imóvel cedido pela prefeitura. Pazolini sustentou que "a população nunca foi prejudicada" pelo fato de ele o governador não serem próximos.
Mas o tom utilizado na resposta foi mais brando do que o adotado um mês atrás quando, em entrevista coletiva após a convenção municipal do Republicanos, o prefeito asseverou que "o isolamento não existe" e que "a velha política ficou para trás, mas alguns ainda insistem em tentar ressuscitá-la".
Voltando à sabatina desta segunda, o candidato se arrepende da "visita surpresa" que fez ao Hospital Dório Silva, na Serra, em 2020, quando era deputado estadual, acompanhado de outros parlamentares? O colunista Leonel Ximenes perguntou.
Em meio à pandemia de Covid-19, a ideia, em tese, era fiscalizar unidades hospitalares, mas isso ocorreu logo após Bolsonaro insuflar seus seguidores a invadirem unidades de saúde. 
Como se sabe, para o então presidente da República, a doença que, por fim, matou mais de 700 mil brasileiros, era só "uma gripezinha". 
Pazolini não respondeu objetivamente à questão, apenas afirmou que a ida ao Dório Silva, considerada, à época, uma "invasão" pela Secretaria Estadual de Saúde, ocorreu dentro da legalidade e que a data da "visita surpresa" foi uma "infeliz coincidência", ou seja, não atendeu à convocação de Bolsonaro.
Curiosamente, na ocasião, Pazolini e Assumção estavam lado a lado. O deputado do PL só não entrou no hospital porque estava... com Covid-19. Ficou no estacionamento da unidade enquanto os colegas realizavam a "inspeção".
Pazolini, em maio de 2022, acusou publicamente o governo Renato Casagrande (PSB) de tentar fraudar uma licitação pública. O caso teria ocorrido ainda em 2021. 
A Procuradoria-Geral da República (PGR), em novembro de 2022,contudo, arquivou a notícia de fato (nome formal do procedimento), por falta de provas. O prefeito, que é delegado licenciado da Polícia Civil, nunca mais tocou no assunto, voluntariamente. 
Nesta segunda, na sabatina, falou a respeito sem dizer muita coisa. Considerou um "episódio encerrado" e avaliou que investigações são assim mesmo, podem resultar em alguma coisa ou ser arquivadas, e que o importante é que as instituições funcionaram.
Mas por que Pazolini demorou tanto tempo, meses, para denunciar publicamente, e às autoridades, o suposto caso de corrupção?
Aí veio a resposta mais abstrata de todas da sabatina: 
"Isso varia de pessoa para pessoa, não tem dificuldade nenhuma. Essas coisas não são absolutas, não são como matemática, não são números rígidos e inflexíveis. E aí cada um tem o seu tempo e vai dosando isso ao longo da sua jornada. Enfim, o tempo não trata as coisas de maneira dura, ele não é tão concreto. É abstrato". 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Técnica de enfermagem morre em acidente na Segunda Ponte
Delegacia Regional da Serra, onde caso foi registrado
Motorista sofre mal súbito, causa acidente e é agredido na Serra
Imagem de destaque
Ebola: o que saber sobre surto na República Democrática do Congo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados