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Resultado de eleição no TJES mostra fim da supremacia da antiguidade

Com a adoção do voto secreto, desembargadores mais novos, ou seja, com menos tempo de casa, superaram mais antigos em pleito que definiu Mesas Diretoras

Publicado em 02 de Outubro de 2025 às 19:42

Públicado em 

02 out 2025 às 19:42
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Desembargadora Janete Vargas Simões foi eleita presidente do TJES
Desembargadora Janete Vargas Simões  logo após ser eleita presidente do TJES, nesta quinta-feira (2) Crédito: Divulgação/TJES
A eleição que definiu quem vai comandar o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) pelo próximo biênio pareceu mais tranquila do que realmente foi, na prática. E, em resumo, coroou desembargadores mais "novos", ou seja, com menos tempo de casa, em detrimento de colegas mais antigos. 
Nesta quinta-feira (2), os desembargadores elegeram Janete Vargas Simões, que vai ser a primeira mulher a presidir o TJ. Ela foi eleita à unanimidade, confirmando o favoritismo detectado pela coluna ainda em agosto.
O desembargador Willian Silva, que ensaiou entrar na corrida pela presidência do TJES, já havia desistido de disputar. Até quarta-feira (1°), porém, o membro mais antigo do Pleno do TJ, José Paulo Calmon Nogueira da Gama, permanecia no páreo.  
Em reunião a portas fechadas pouco antes da realização da eleição nesta quinta, porém, ele comunicou aos colegas que também havia recuado. Assim, Janete foi candidata única ao posto.
A votação foi secreta e todos sabiam que, desta forma, haveria possibilidade de disputa real entre os pares, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos. Via de regra, o desembargador mais antigo que ainda não havia exercido a função era escolhido para presidir o TJES, com voto aberto.
A supremacia da antiguidade, ao menos neste pleito, caiu por terra.
"O desembargador José Paulo apontou motivos de saúde para declinar da candidatura. Janete é menos antiga que José Paulo e Willian, mas nenhum candidato a superaria, ela já estava consolidada", comentou um desembargador consultado pela coluna.
Não há previsão de inscrições formais para concorrentes aos cargos da Mesa Diretora. Assim, a reunião que antecedeu a eleição serviu, informalmente, para que os desembargadores comunicassem aos demais se tinham ou não interesse em ocupar alguma função.
Nos bastidores, entretanto, os principais interessados já pediam votos.
Houve disputa entre dois Fernandos — Zardini e Bravin —pela vice-presidência do TJ e, na apuração voto a voto, Zardini superou o colega mais antigo.
O vencedor também contava com o apoio da desembargadora Janete, de acordo com o que a coluna apurou. 
Ewerton Schwab Pinto Júnior foi escolhido como novo corregedor-geral da Justiça por maioria de votos. 
A atual vice-corregedora, Eliana Munhós, mais antiga que ele, apresentou-se como candidata ao comando da corregedoria apenas na reunião que antecedeu o pleito, mas não havia feito campanha, pedido voto aos colegas, anteriormente. 
Então tratou-se mais de uma candidatura pró-forma, devido ao cargo que já exerce.  
Robson Albanez foi candidato único e, assim, eleito à unanimidade como vice-corregedor.
Urna utilizada na eleilção da Mesa Diretora do TJES
Os votos, impressos, foram depositados por cada um dos desembargadores do TJES em uma urna de madeira Crédito: Letícia Gonçalves
A DISPUTA PELO TRE-ES
Para o TRE-ES a corrida foi acirrada. Namyr Carlos de Souza Filho recebeu mais votos que Willian Silva e sagrou-se como o indicado para presidir a Corte Eleitoral.
Foi mais uma vitória de um desembargador com menos tempo no cargo sobre um mais antigo.
Os nomes de Namyr e do futuro vice-presidente do TRE-ES, Arthur José Neiva de Almeida (que recebeu mais votos que a mais antiga Eliana Munhós) foram indicados pelo TJES ao TRE, que precisa referendá-los.
As posses dos membros das Mesas Diretoras vão ocorrer em dezembro. 
O atual presidente do TJES é o desembargador Samuel Meira Brasil Jr. e o do TRE-ES é o desembargador Dair José Bregunce de Oliveira. 

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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