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Último debate foi um resumo dos altos e baixos (mais baixos do que altos) da eleição na Serra

Weverson Meireles (PDT) e Pablo Muribeca (Republicanos) protagonizaram embate na noite de sexta-feira (25). Delegado Sandi Mori foi um "participante" involuntário

Publicado em 26 de Outubro de 2024 às 12:41

Públicado em 

26 out 2024 às 12:41
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Debate eleitoral
Weverson Meireles e Pablo Muribeca durante debate na TV Gazeta no 2º turno das eleições de 2024 Crédito: Carlos Alberto Silva
Weverson Meireles (PDT) e Pablo Muribeca (Republicanos) participaram de debates eleitorais pela primeira vez em 2024. O pedetista nunca disputou um cargo eletivo e o republicano foi eleito vereador e deputado estadual, corridas em que, via de regra, não há debates. 
Isso considerado, não podemos deixar de constatar que os dois candidatos a prefeito da Serra não proporcionaram bons embates, em termos de conteúdo e oratória, neste pleito. Quem perde são os eleitores.
"Ah, Letícia e você faria melhor no lugar deles?". Talvez não, mas também não sou candidata a prefeita, certo?
Voltemos, então, à eleição na Serra. Na noite de sexta-feira (25), Weverson e Muribeca protagonizaram, na TV Gazeta, o último confronto antes da eleição de domingo (27), o segundo turno que vai definir quem vai comandar o Executivo municipal pelos próximos quatro anos.
Foi o terceiro debate entre eles num período de sete dias. 
As estratégias adotadas pelos candidatos foram as mesmas dos eventos anteriores: chamar o adversário de mentiroso, fazer críticas em looping, cobrar propostas, mas não apresentar propostas na mesma proporção, e repetir frases como se fossem bordões.
O tom de voz de Weverson foi mecânico. O de Muribeca, suplicante. 
O pedetista voltou a falar que o outro não tem "equilíbrio emocional" — Weverson fez isso ao menos 13 vezes no debate realizado por A Gazeta e CBN, no dia 21. Está chato já, realmente.
Chamou o adversário de "campeão de fake news", disse que Muribeca não tem propostas e se apresentou como "a mudança segura" para a Serra.
Muribeca fez diversas críticas ao passado de Weverson, rebatidas pelo pedetista como "mentiras". E as negativas de Weverson, por sua vez, foram consideradas mentirosas pelo adversário. Um círculo vicioso.
O republicanio afirmou que Weverson não é "mudança coisa nenhuma", "escolhido do prefeito (Sérgio Vidigal)", e se autointitulou "o homem do povo".
As "mães atípicas" foram mencionadas diversas vezes pelos dois candidatos. Muribeca apelou, como sempre, aos "papais e mamães".
O tema saúde pública até predominou, no primeiro bloco, mas foi tratado de forma rasa, como os demais assuntos abordados.
SANDI MORI, O PARTICIPANTE INVOLUNTÁRIO
Houve poucas coisas diferentes em relação ao debate de A Gazeta/CBN e ao da TV Vitória, realizado na quinta-feira (24). 
Uma novidade: as citações nominais ao delegado da Polícia Civil Rodrigo Sandi Mori. 
O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra foi citado seis vezes, somando as falas de Weverson e Muribeca, sempre em tom elogioso.
O pedetista trouxe à baila o fato de que Muribeca, em um primeiro momento, afirmou ter sofrido um atentado em meio à campanha eleitoral. Como a coluna mostrou, o republicano chegou a registrar um boletim de ocorrência colocando-se como vítima de uma tentativa de homicídio e publicou vídeo, depois apagado, dizendo: "Tentaram me matar!".
Em depoimento a Sandi Mori, porém, Muribeca afirmou que não era o alvo dos disparos que foram feitos durante uma carreata em Central Carapina. O delegado, em entrevista coletiva, revelou o resultado de uma rápida investigação: tratou-se de uma rusga entre gangues rivais, sem nenhuma conotação política.
Muribeca agradeceu, em nota oficial e no debate desta sexta, a pronta elucidação do caso e rendeu homenagens ao "grande Sandi Mori".
Já Weverson afirmou que o republicano "tentou enganar até o Sandi Mori" com o "falso atentado".
"Parece que você estava torcendo para eu levar um tiro", rebateu Muribeca.
O pedetista fez isso após ser acusado, por Muribeca, de "defender ideologia de gênero", o que, de fato, nunca houve.
"Por que você traiu a comunidade?", questionou o candidato do Republicanos, num rompante de compaixão por um segmento que ele mesmo havia tratado com virulência e desinformação. 
O fato de Weverson ter deletado todas as menções à "comunidade" do plano também foi, claro, um desrespeito.
Mas a coisa, no debate, ficou por aí mesmo, não chegou-se a lugar algum, para variar. 
O pedetista voltou a afirmar que Muribeca "é mentiroso" por ter falado de "ideologia de gênero" e tentou justificar, assim, a "adequação" do plano de governo.
PARENTES
Mais uma novidade: como se já não bastassem os demais assuntos tratados de forma comezinha, a grande revelação feita pelos candidatos no debate foi que a esposa de Muribeca e a namorada de Weverson são primas.
Enfim, o almoço em família neste domingo vai ser interessante.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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