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Política

Com a pandemia, agenda de reformas do governo fica ameaçada

O risco político do governo Bolsonaro aumentou, e isso nunca é um bom sinal. Depende muito do presidente reverter esse quadro, recriando pontes de diálogo e liderando reformas ainda mais necessárias

Publicado em 02 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

02 abr 2020 às 05:00
Luan Sperandio

Colunista

Luan Sperandio

luansperandio@gmail.com

Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado participam de videoconferência com representantes da Iniciativa Privada.
Presidente da República, Jair Bolsonaro Crédito: Isac Nobrega
A popularidade do governo Bolsonaro estava em alta no início de 2020, mas os eventos de março colidiram com ela. É natural que eventuais falhas fiquem mais evidentes e sejam menos toleráveis pelo eleitorado em meio a crises. A partir de declarações e ações consideradas controversas por parte do presidente na gestão de crise do coronavírus, a agenda de reformas fica ameaçada.
Entender o peso desse cenário é importante para compreender os próximos acontecimentos políticos, como a aprovação ou não de novas reformas, e seus impactos no mercado, na economia e no futuro do governo.
A Rodada XP Março mostrou o maior recuo de popularidade do governo desde início do mandato. Agora 30% dos brasileiros consideram o governo ótimo ou bom, contra os 34% registrados em fevereiro. O índice entre quem considera o governo ruim ou péssimo manteve-se em 36%.
Porém, dois dados despertam o alarme a respeito da possibilidade de aprovação de reformas cair. Houve uma inversão na aprovação da política econômica do governo: agora 48% acham que ela segue um caminho ruim, enquanto em fevereiro o percentual era de 40%. Enquanto isso, apenas 37% avaliam de forma positiva a política econômica do governo Bolsonaro, quando em fevereiro o índice registrava 47%.
Já para 61% dos brasileiros, a melhor opção para combater os efeitos na economia diante do coronavírus são medidas para estimular o crescimento. Em oposição, apenas 24% opinaram que ela deve se dar a partir de reformas tributária e administrativa.
Políticas públicas para minimizar os impactos do coronavírus para as pessoas mais vulneráveis socialmente e empresas são essenciais, mas esses programas precisam ser custeados. Atualmente, o governo federal não tem espaço fiscal como no passado, então é preciso aprovar reformas que possibilitem maior saúde financeira para possibilitar melhor combate ao coronavírus.
Mas pesquisa Barômetro do Poder em Março 2020 apontou queda no apoio de parlamentares ao governo. A média das estimativas dos especialistas aponta para uma base aliada com 91 assentos na Câmara (18%) e 15 no Senado (19%), o menor patamar médio estimado desde o início da atual administração. Os analistas estimam que a oposição conte com 150 deputados e 19 senadores e que os incertos somem 272 e 47 assentos nas respectivas casas legislativas.
Com isso, a capacidade do governo aprovar proposições no Congresso despencou, segundo o levantamento. Outro dado negativo é que em janeiro de 2019, 63% dos brasileiros tinham expectativa otimista para o mandato de Bolsonaro, mas o índice agora é de somente 38%, uma queda que ocorreu muito antes do coronavírus.
Todos esses indicadores mostram que o risco político do governo Bolsonaro aumentou, e isso nunca é um bom sinal. Depende muito do presidente reverter esse quadro, recriando pontes de diálogo e liderando reformas ainda mais necessárias diante de um momento delicado como o atual.

Luan Sperandio

É editor-chefe da Apex Partners. Neste espaço, faz análise de dados, evidências e literatura

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