Você também tem a sensação de que as chuvas no Espírito Santo estão diferentes? Mais intensas, concentradas em poucas horas e, muitas vezes, acompanhadas de ventos fortes e granizo. Isso não é coincidência. É um reflexo direto das mudanças climáticas. O aumento da temperatura global aquece o ar e os oceanos, elevando a evaporação e a quantidade de vapor d’água na atmosfera.
Com mais energia disponível, os eventos de chuva tendem a ser mais extremos. No Espírito Santo, esse cenário já se manifesta de forma clara. Municípios como Vila Velha registraram episódios recentes de chuva de granizo com danos a telhados, carros e comércios. Em Muniz Freire, o granizo surpreendeu moradores e causou prejuízos tanto na área urbana quanto na zona rural.
Casos semelhantes também foram observados em cidades como Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares e Domingos Martins. Esses eventos mostram que o estado já está inserido na dinâmica dos extremos climáticos.
O problema se agrava quando somamos fatores locais, como desmatamento de encostas, retirada de mata ciliar, urbanização desordenada, impermeabilização excessiva do solo e ocupação de áreas de risco. As consequências são conhecidas: alagamentos, enxurradas, deslizamentos, perdas materiais, impactos econômicos e riscos à vida.
No entanto, é fundamental entender que a prevenção é possível. Planejamento urbano adequado, proteção das áreas verdes, arborização urbana, sistemas eficientes de drenagem, monitoramento climático e educação ambiental reduzem significativamente os impactos.
Diante desse cenário, é inevitável questionar: os municípios do Espírito Santo têm planos e projetos específicos de adaptação às mudanças climáticas? Estão realmente preparados para enfrentar eventos extremos cada vez mais frequentes? No médio e longo prazo, as soluções passam pela redução das emissões de gases de efeito estufa e pelo investimento em Soluções Baseadas na Natureza, tornando as cidades mais resilientes. A pergunta que fica para o leitor é simples e urgente: vamos continuar apenas reagindo aos desastres ou vamos nos antecipar a eles?
Indicação de livros
- A Terra Inabitável – David Wallace-Wells
- Mudanças Climáticas e Cidades – Mark Pelling
- Soluções Baseadas na Natureza – IUCN