Precisamos construir, diariamente, uma política de boa convivência, acatar as regras, respeitar o direito de vizinhança, visando alcançar um único objetivo: morar bem em condomínio
Publicado em 06 de Fevereiro de 2023 às 01:58
Públicado em
06 fev 2023 às 01:58
Colunista
Mercado Imobiliário
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Cabe ao síndico, enquanto agente pacificador, buscar, por meio do diálogo, mediar os conflitos entre vizinhosCrédito: Shutterstock
*Gedaias Freire da Costa
Mensalmente abordamos nesta coluna, em uma parceria significativa entre A Gazeta e o Sindicato Patronal de Condomínios e Empresas de Administração de Condomínios do Espírito Santo (Sipces), temas específicos sobre a convivência condominial, o que chamamos, carinhosamente, de família condominial
É cristalino que precisamos construir, diariamente, uma política de boa convivência, acatar as regras, respeitar o direito de vizinhança, visando alcançar um único objetivo: morar bem em condomínio.
Compramos um imóvel, realizamos nosso sonho de ter a casa própria, mas não fomos ”educados” a morar em comunidade, com muitas famílias, cada uma achando que é “dona do pedaço”. Esquecem ou não conhecem que neste terreno tem regras e o síndico é o “manda-chuva”.
Ou seja, uma saga ou novela de vários capítulos sem fim. Pois, diverso do folhetim, somos um organismo vivo, que diariamente devemos construir nossas relações humanas, almejando morar bem, sem transtornos e divergências. Um sonho que não é impossível.
Moramos em condomínio. Dependendo do porte deste, nos sentimos os “reis”, somos donos, mandamos e queremos ser servidos a contento. Que tragédia de pensamento individualista, pois somos um no universo de tantos outros moradores. Cada um com uma expectativa, que não precisa ser um cabo de guerra.
A corda não deve ser esticada, mas, harmonizada ao sabor do bem viver, não é difícil, mas precisamos encarar uma realidade: somos responsáveis pela construção de uma sociedade melhor. Não basta criticar os políticos, bem como o país e seu governo. Temos participação ativa, devemos ser políticos em sua essência, dialogar e negociar sempre na construção de uma convivência de paz e harmonia.
Não somos donos da verdade. Não mandamos no síndico, ele não é nosso empregado, mas representante eleito para gerir a manutenção e conservação do patrimônio comum e exigir de todos, com imparcialidade, o cumprimento das regras internas, discutidas e aprovadas por todos. Sob risco de pena de penalidades. Portanto, discutir a validade destas regras é reconhecer nossa culpa ou omissão no cumprimento destas.
Precisamos entender que condomínio é uma família. Com seus acertos e erros, não cabe divórcio. A incompatibilidade de convivência gera a exclusão do condômino antissocial. Não perdemos a propriedade, mas perdemos o direito de morar no condomínio.
Pacificar as relações humanas exige comprometimento e aplicação de técnicas de mediação. Cabe ao síndico, enquanto agente pacificador, buscar, por meio do diálogo, mediar os conflitos entre vizinhos antes que a judicialização seja o caminho. A decisão do juiz pode não agradar a nenhuma das partes e até aumentar o conflito. Conviver não é fácil. Exige de todos uma dose de paciência, respeito e amor ao próximo.
Antes de jogar a pedra, cuidado. Você pode ser a vidraça. Pense e reflita sobre seus atos e ações no condomínio, se afetam, agridem ou somam, criando benefícios ao convívio salutar, sadio, entre você e seus vizinhos. Não somos donos de uma única razão, mas compartilhamos experiências diárias para uma convivência pacífica, onde o que importa é o todo.
Pense nisso. Morar em condomínio implica em reconhecer que temos muitas verdades. A nossa é uma delas. E que as regras aprovadas por todos funcionam apenas como uma régua de convivência, que ultrapassada, gera conflitos, advertências, penalidades. E encaremos os novos desafios: como melhorar o relacionamento coletivo.
*Gedaias Freire da Costa é advogado e presidente do Sindicato Patronal de Condomínios e Empresas de Administração de Condomínios do Espírito Santo (Sipces)
Gedaias Freire da Costa: “Pense e reflita sobre seus atos e ações no condomínio, se afetam, agridem ou somam”Crédito: Sipces/Divulgação
Analises semanais do setor de imoveis com especialistas da Associacao das Empresas do Mercado Imobiliario (Ademi-ES), Conselho Regional de Corretores de Imoveis (Creci-ES) e Sindicato Patronal de Condominios (Sipces).