Estamos acostumados a cobrar nossas polícias diante do aumento da violência, o que é absolutamente normal, afinal queremos que elas estejam sempre buscando maximizar sua eficiência na prestação dos serviços, porém, na
segurança pública é preciso que nossa visão vá além delas, até porque não são a solução para a violência: as polícias enfrentam a violência.
Para aprofundarmos nosso olhar na problemática da violência e buscar soluções, primeiro devemos identificar com clareza o que vem colaborando para o crescimento dela. Quais são as principais causas que tornam o solo brasileiro fértil para sua eclosão? Posso elencar cinco delas:
O Brasil tem errado em suas estratégias de controle da criminalidade. De 1996 a 2020 mais de um milhão de pessoas foram assassinadas no país. Esse número assustador dá margem a propostas enganosas, movidas por interesses políticos, mas esvaziadas do ponto de vista científico. Na segurança pública não adianta abraçar o caminho fácil adotando postura populista, não funciona, é voo de galinha!
A problemática da violência deve ser enfrentada com seriedade, começando por aumentar o percentual de jovens estudando e trabalhando, diminuindo o abandono escolar, principalmente em bairros que concentram, historicamente, o maior número de homicídios. Para isso a escola tem que ser atraente.
É preciso olhar de frente nossas ineficiências. No Brasil apenas 15% dos assassinatos são esclarecidos. Urge a necessidade de fortalecer a capacidade técnica e estrutural das polícias civis e polícias científicas (perícia), responsáveis pela produção de provas.
Nossos presídios estão abarrotados de vendedores de maconha no varejo e, para cada um preso, surgem centenas de substitutos. Já autores de homicídios compõem apenas 11% da população prisional. O custo médio mensal para manter uma pessoa atrás das grades é de R$ 2.400,00. O custo de manutenção de um jovem na escola pública durante um ano inteiro é de R$ 2.800,00. É preciso ter a coragem de encarar o fato de que a política de encarceramento em massa ruiu.
Enfim, precisamos firmar o rumo certo e sair dessa mesmice de achar que uma viatura da PM fazendo ponto base (PB) irá resolver esse problemão. O mundo e a criminalidade não são estáticos.