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Petróleo

Dilemas nos preços dos combustíveis: o perigo que estamos correndo agora

Tenho sérias dúvidas da eficácia de se mexer apenas no componente “impostos” da equação dos preços dos combustíveis. Pode ter resultados mais imediatos, porém mantém os outros dois componentes básicos

Publicado em 19 de Fevereiro de 2022 às 02:00

Públicado em 

19 fev 2022 às 02:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Enchendo o tanque do carro com combustível, gasolina
Abastecimento de tanque de carro com combustível Crédito: Pixabay
Os preços dos combustíveis não atormentam somente nós brasileiros. Como também a inflação, que hoje se mostra disseminada mundo afora. Nos Estados Unidos, por exemplo, há um ano o preço do galão da gasolina estava cotado a U$ 2,5, que equivaleria a R$ 3,43 por litro, ao dólar médio desta semana. Hoje, lá o preço por galão já atinge U$ 3,49, com equivalência em reais a R$ 4,90. No entanto, enquanto lá é o componente preço do petróleo o principal a ditar o preço dos combustíveis, aqui temos um componente adicional que é o câmbio, além do peso dos impostos.
Quanto à carga dos impostos que recaem sobre combustíveis se enganam aqueles que imaginam que estamos no bloco de cima. O campeão nesse caso é o Reino Unido, com uma carga tributária que gira no entorno de 70%. Na sequência do ranking vamos encontrar a França, com 63%, e Alemanha com 60%. No Brasil esse percentual está no patamar de 40%. Já nos EUA, apenas 24%. Vale ressaltar que alguns países mais avançados em desenvolvimento tributam mais fortemente os combustíveis fósseis já como estratégia de penalização e aceno a fontes renováveis.
Em qualquer economia sob a égide do mercado, os preços de certos produtos ou serviços funcionam como determinantes de preços de uma infinidade outros produtos e serviços. Por isso são chamados de formadores de preços. Incluem-se nessa relação o petróleo e seus derivados, energia, serviços de comunicação, câmbio, entre outros. Ou seja, eles entram na formação e composição dos preços em geral, despertando a atenção sobretudo dos encarregados da política econômica.
Nos Estados Unidos, mesmo com uma carga tributária relativamente baixa, o governo Biden já acena para uma redução de 18 centavos de dólar de imposto por galão, de olho na inflação que já chega a 6,8%. Aqui no Brasil, ainda estamos às voltas com o que fazer, além da ameaça de no imediatismo de se obter resultados podermos estar caindo em armadilhas.
Pessoalmente tenho sérias dúvidas da eficácia de se mexer apenas no componente “impostos” da equação dos preços dos combustíveis. Pode ter resultados mais imediatos, porém mantém os outros dois componentes básicos que são o preço do petróleo no mercado internacional e o câmbio.
O preço do petróleo é determinado por um oligopólio, portanto sob controle do lado da oferta, fora no nosso alcance. Quanto ao câmbio, não somente pesa o componente político, mas o que ele pode fazer para piorar ainda mais a situação fiscal e dificultar o controle da inflação. Esse é o perigo que estamos correndo agora.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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