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Economia

Isolamento econômico do país tende a afetar também o Espírito Santo

Movimentos reativos vindos do exterior, principalmente de investidores e de potenciais países interessados em acordos comerciais, já sinalizam que teremos dificuldades pela frente caso não tenhamos mudanças

Publicado em 11 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

11 jul 2020 às 05:00
Orlando Caliman

Colunista

Orlando Caliman

orlando.caliman@gmail.com

Chapas de rochas ornamentais produzidas no Espírito Santo
Setor de rochas pode ser um dos mais prejudicados se o país não melhorar sua imagem no exterior Crédito: Sindirochas/Divulgação
No meu artigo da semana passada, chamei a atenção para as implicações no campo da economia por conta do isolamento do Brasil no contexto de suas relações com outros países e/ou grupos de países, em especial em razão de sua política externa pouco amigável, mas também pelos arranhões na sua imagem externa no que tange a questão ambiental.
Movimentos reativos vindos do exterior, principalmente de investidores e de potenciais países interessados em acordos comerciais, já sinalizam que teremos dificuldades pela frente, caso não se sinalizem mudanças.
A questão que pretendo ressaltar hoje diz respeito a possíveis implicações e consequências que essa postura externa possa resultar para o Espírito Santo. Para isso é importante lembrarmo-nos de que a economia capixaba é uma das mais abertas externamente. Ou seja, está fortemente atrelada ao que acontece nos mercados internacionais, e com maior destaque para a China e os Estados Unidos, mas também com o grupo de países da União Europeia.
Não há como imaginarmos uma retomada mais firme da economia brasileira e do Espírito Santo sem a contribuição de bons ventos vindos do mundo exterior.
Não é sem razão que duas grandes empresas que operam aqui, a Vale e a Suzano, aparecem como signatárias de carta destinada ao vice-presidente da República, Antônio Hamilton Mourão, solicitando ações e iniciativas mais firmes, portanto mais convincentes, no combate aos desmatamentos no país.
Assinam também a referida correspondência um número significativo de CEOs – executivos – de grandes empresas, inclusive da Eletrobras, e organizações privadas representativas de fortes setores da economia. Expressam, sobretudo, o receio de que a imagem ruim lá fora possa dificultar o acesso aos mercados financeiro – crédito e investimentos - e de produtos.
O professor e pesquisador americano da Universidade da Califórnia, Barry Eichengreen, pode bem expressar essa imagem ruim do Brasil na questão ambiental em frase por ele dita em entrevista ao jornal "Valor" do último final de semana: “EUA e Brasil estão numa corrida para ver qual dos dois têm a pior política ambiental”. Adiciona-se a isso a má condução no trato da pandemia, com implicações negativas no ritmo da retomada das duas economias. Sabemos, por exemplo, que o setor de rochas do Espírito Santo tem como seu maior mercado externo os Estados Unidos.

Orlando Caliman

É economista. Analisa, aos sábados, o ambiente econômico do Estado e do país, apontando os desafios que precisam ser superados para o desenvolvimento e os exemplos de inovação tecnológica

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